Colômbia fecha as urnas e inicia apuração da eleição presidencial
Com cerca de 20% das urnas apuradas, resultado indica segundo turno entre Abelardo de la Espriella e Ivan Cepeda
247 - A Colômbia encerrou neste domingo (31) a votação do primeiro turno das eleições presidenciais e deu início à apuração dos votos em uma disputa marcada pela polarização política, pela preocupação crescente com a segurança pública e pela expectativa de um segundo turno. Com cerca de um quinto das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella aparecia na liderança, com 43,6% dos votos, seguido de perto pelo candidato de esquerda Iván Cepeda, que registrava 42,1%.
O pleito ocorre em um momento decisivo para o país sul-americano. O atual presidente Gustavo Petro, que governa desde 2022, não pode disputar a reeleição devido às restrições constitucionais. Seu grupo político, o Pacto Histórico, tenta manter-se no poder com a candidatura de Cepeda, apoiado pelo presidente.
A corrida eleitoral foi dominada por três nomes considerados favoritos: Iván Cepeda, representante da esquerda e aliado de Petro; Abelardo de la Espriella, identificado com posições da ultradireita; e a senadora conservadora Paloma Valencia. Pesquisas realizadas antes da votação já indicavam dificuldades para que qualquer candidato alcançasse os mais de 50% necessários para vencer no primeiro turno, tornando altamente provável uma nova disputa eleitoral em 21 de junho.
Segurança domina o debate eleitoral
A segurança pública tornou-se o principal tema da campanha presidencial colombiana. O país enfrenta uma escalada da violência associada a grupos armados ilegais, organizações ligadas ao narcotráfico e disputas territoriais em diversas regiões.
O clima de insegurança foi agravado por assassinatos de lideranças políticas e pelo atentado que matou um dos principais nomes cogitados para disputar a Presidência durante a pré-campanha de 2025. Paralelamente, a Colômbia vive um período de tensão crescente com o Equador, que intensificou operações militares na fronteira para combater organizações criminosas.
Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês revelou que 40% dos colombianos consideram a segurança pública o principal problema nacional. Questões econômicas e desemprego aparecem em quarto lugar, citadas por apenas 11% dos entrevistados.
Continuidade ou mudança
Iván Cepeda defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo governo Petro. A atual administração assumiu o país em meio aos efeitos econômicos da pandemia e promoveu aumentos expressivos do salário mínimo, além de avanços na redução do desemprego.
Por outro lado, críticos apontam que os programas sociais contribuíram para o aumento do déficit fiscal e geraram dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas. O governo também enfrentou resistência no Congresso, que bloqueou parte das propostas apresentadas pelo Executivo.
No campo da segurança, Cepeda sustenta que sua experiência nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) o credencia para enfrentar a violência. O acordo de paz firmado em 2016 resultou no desarmamento da guerrilha, embora grupos dissidentes permaneçam ativos e continuem envolvidos em conflitos armados.
Recentemente, um confronto entre facções dissidentes das Farc na Amazônia colombiana deixou 52 rebeldes mortos, evidenciando a persistência dos desafios relacionados à segurança.
Candidatos defendem respostas mais duras ao crime
Os adversários de Cepeda argumentam que a estratégia de diálogo adotada pelo governo fracassou. Tanto Abelardo de la Espriella quanto Paloma Valencia defendem uma postura mais rígida contra organizações criminosas e grupos armados.
De la Espriella, admirador das políticas de segurança adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, promete ampliar a ação militar e construir dez megaprisões.
Durante a campanha, o candidato afirmou: “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”.
Já Paloma Valencia também propõe o fortalecimento da atuação das Forças Armadas e da polícia, defendendo medidas imediatas para obter o que classifica como “resultados concretos” no combate à violência.
Congresso fragmentado pode dificultar governabilidade
Independentemente do resultado das urnas, o próximo presidente deverá enfrentar um Congresso fragmentado. As eleições legislativas realizadas em março mostraram que nenhuma força política conquistou maioria suficiente para governar sem articulações amplas.
Embora o Pacto Histórico tenha mantido posição de destaque, o partido ficou distante de alcançar maioria própria. O Centro Democrático, legenda de Paloma Valencia, ampliou sua representação, enquanto partidos tradicionais e de centro preservaram espaço relevante.
O cenário indica que o futuro chefe de Estado dependerá de negociações constantes para aprovar reformas e projetos, em um contexto político marcado pela polarização e pelos desafios persistentes na segurança pública.



