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Negociador dos acordos de paz, Iván Cepeda pretende continuar projeto de Petro na Colômbia

Principal figura governista no Congresso colombiano, senador é filho de casal de dirigentes comunistas, um deles vítima de assassinato político

Iván Cepeda (Foto: Reuters)
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Opera Mundi - A Colômbia vai às urnas neste domingo (31/05) no que será o segundo processo eleitoral presidencial desde o fim da reeleição (medida aprovada pelo Congresso em 2015), razão pela qual o atual presidente, Gustavo Petro, não será o candidato que representará a continuidade do projeto político da coalizão Pacto Histórico, iniciado com sua vitória eleitoral em 2022.

Diante de tal impossibilidade, quem assumiu a missão foi o senador Iván Cepeda Castro, de 63 anos, apontado por muitos analistas políticos colombianos como o “sucessor natural” do projeto, ao ser identificado como um dos congressistas mais alinhados ideologicamente com o atual mandatário.

Em mensagem publicada recentemente nas redes sociais, Petro admitiu que pediu pessoalmente a Cepeda que se apresentasse como pré-candidato à Presidência para representar a continuidade do projeto do Pacto Histórico.

“Fiz isso por dois motivos: por sua luta pessoal inabalável em defesa dos direitos humanos e da paz, e por sua verdadeira biografia, sua vida”, justificou o presidente colombiano.

Cepeda foi escolhido como candidato do Pacto Histórico ao vencer as prévias da coalizão, realizadas em março passado, obtendo 1,5 milhão de votos, que representaram 65,7% das preferências, contra 28,6% (670 mil votos) de Carolina Corcho, ministra de Saúde do governo de Petro.

Também em março, o Pacto Histórico designou como candidata a vice na sua chapa a também senadora e líder indígena Aída Quilcué, dirigente histórica do Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC).

Três revoluções

Em seus comícios e em sua propaganda eleitoral, Cepeda afirma que, se chegar ao Palácio de Nariño, pretende promover uma aceleração do projeto político da coalizão Pacto Histórico, a partir das bases estabelecidas pela gestão de Petro, resumidos no conceito que foi utilizado como uma espécie de lema da campanha: o das “três revoluções.

A primeira ‘revolução’ seria a da transformação democrática, enfatizando os processos de paz e de valorização dos direitos humanos que vêm avançando na Colômbia desde os acordos de paz de 2016 – dos quais ele mesmo foi um dos principais negociadores.

A segunda ‘revolução’ seria na questão agro-econômica, que incluiria uma reforma agrária, e a construção de infraestrutura necessárias para que pequenos e médios agricultores possam se integrar a um maior número de mercados, além de converter áreas dominadas pelo narcotráfico em espaços dedicados a cultivos legais.

Esse trecho econômico do programa de Cepeda também prevê uma reforma tributária progressiva, com o objetivo de diminuir a carga sobre a classe trabalhadora e aumentar a contribuição dos grandes capitais, além de projetos para fomentar a reindustrialização do país.

A terceira ‘revolução’ seria no âmbito meio ambiental, baseada na em promover políticas sustentáveis e de fácil implementação, especialmente em comunidades do interior do país, com destaque na proposta de aumentar as estruturas para garantir água potável, energias limpas e melhoria na mobilidade, incluindo transportes rodoviários, ferroviários e fluviais.

Em um dos seus discursos que mais viralizou nas redes socias, Cepeda prometeu transformar a Colômbia em uma “potência mundial agroalimentar, da biodiversidade e dos direitos humanos”.

Embora a política externa não seja um dos eixos das “três revoluções”, a candidatura do Pacto Histórico prega incrementar mecanismos de autonomia da Colômbia, especialmente para obstaculizar tentativas de intervenções estrangeiras, além de fortalecer acordos de integração com países latino-americanos.

Filho de comunistas

Iván Cepeda Castro é filho de um casal de militantes históricos do Partido Comunista Colombiano: o advogado e político Manuel Cepeda, que foi senador em 1994, e a jornalista e política Yira Castro, que foi vereadora em Bogotá entre 1980 e 1981.

Seu pai também foi membro do partido União Patriótica, e na verdade foi eleito senador por essa legenda, na eleição de março de 1994, mas seu mandato durou apenas 20 dias: após assumir o cargo em 20 de julho, ele acabou sendo assassinado em um atentado a tiros no dia 9 de agosto.

Em janeiro de 2001, o Tribunal Superior de Bogotá condenou dois suboficiais do Exército colombiano, Hernando Medina y Justo Gil Zúñiga, como autores do assassinato de Cepeda. Um terceiro envolvido, Edilson Jiménez, foi sentenciado em março de 2009.

O episódio foi apenas um da longa lista de homicídios reconhecidos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos como “Ação Premeditada de Extermínio” dos membros do partido União Patriótica.

A mãe de Iván Cepeda, Yira Castro, também sofreu uma morte trágica dez meses depois de assumir seu cargo como vereadora em Bogotá, como representante da coalizão União Nacional de Oposição (UNO), da qual fazia parte o Partido Comunista. Ela faleceu em 1981, em decorrência de um câncer detectado durante o exercício do seu mandato.

Defensor dos Direitos Humanos

Iván Cepeda iniciou sua trajetória de militante ligado a causas de direitos humanos lutando justamento pela memória e justiça em casos ligados aos integrantes da União Patriótica assassinados pelo Estado colombiano desde 1987 e 2003 – incluindo o caso de seu pai.

Nos anos 2000, passou a ser também um defensor de causas relacionadas à guerra civil colombiana, razão pela qual se tornou um dos membros destacados das negociações referentes ao processo de paz, especialmente entre os anos de 2012 e 2016, que resultaram no acordo entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo colombiano – à época encabeçado pelo presidente de direita Juan Manuel Santos (2010-2018).

Anos depois, também participou como negociador dos acordos de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), realizados durante o governo de Gustavo Petro, a partir de 2022.

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