Petro denuncia interferência externa em eleições na Colômbia
Gustavo Petro afirmou que comentários políticos de Bernie Moreno configuram interferência ilegítima na votação
247 - A denúncia de interferência externa em eleições na Colômbia ganhou força na reta final da disputa presidencial após o presidente Gustavo Petro reagir a declarações do senador americano de origem colombiana Bernie Moreno. As informações são da Prensa Latina.
Em manifestação nas redes sociais, Petro cobrou que Moreno se limite à função de observador eleitoral e afirmou que opiniões de caráter político sobre o voto dos colombianos representam uma ingerência indevida no processo democrático do país.
“Peço ao senador Bernie Moreno, cidadão americano, que não faça comentários além daqueles relacionados à sua missão de observação eleitoral. Comentários políticos sobre a votação pública constituem interferência ilegítima na livre vontade do povo”, escreveu o presidente colombiano.
A declaração mais recente de Petro foi direcionada especificamente a Bernie Moreno, inscrito como observador internacional para as eleições presidenciais colombianas. O chefe de Estado já havia afirmado, em publicação anterior, que a Colômbia é uma democracia e não um estado de servidão, em resposta às declarações do senador sobre o cenário político do país.
Petro também destacou que “a livre decisão do povo colombiano é respeitada”, após Moreno afirmar que os Estados Unidos poderiam não reconhecer os resultados das eleições, marcadas para 31 de maio.
Em entrevista, Moreno declarou que “se a Colômbia, Deus nos livre, seguir o caminho errado, o que veremos é que todos os maus atores atualmente em Cuba, Venezuela e Nicarágua migrarão para a Colômbia”.
Disputa presidencial entra na reta final
Embora não tenha citado nomes ou partidos, a fala de Moreno foi interpretada como uma tentativa de influenciar o eleitorado contrário à esquerda. O principal nome desse campo político na disputa é Iván Cepeda, que aparece à frente nas pesquisas de apoio popular, segundo o texto da Prensa Latina.
Moreno também enviou uma mensagem aos candidatos Paloma Valencia, da direita, e Abelardo De la Espriella, da extrema direita, sugerindo uma articulação entre adversários de Cepeda em eventual segundo turno.
“Esta é uma disputa a três; os dois candidatos, que estão em grande parte alinhados dentro de uma margem muito estreita, devem estar completamente unidos logo na segunda-feira, 1º de junho”, afirmou o senador.
A declaração parte da hipótese de que nenhum candidato alcance 50% mais um dos votos válidos em 31 de maio, o que levaria a disputa a um segundo turno. Nesse cenário, segundo a avaliação mencionada na reportagem original, Cepeda já teria vaga assegurada na nova etapa da eleição.
Mais de 40 milhões poderão votar
As eleições presidenciais da Colômbia terão 12 candidatos. Do total de cidadãos habilitados, 40.007.312 poderão votar em território colombiano, enquanto 1.414.661 estão aptos a participar do processo eleitoral no exterior.
Serão instaladas 13.742 seções eleitorais no país, com 120.527 mesas disponíveis para a votação.
Moreno afirmou ainda que pretende retornar à Colômbia em 7 de agosto, data prevista para a posse do próximo presidente eleito, à frente de uma delegação dos Estados Unidos que participaria da cerimônia.



