Petro rechaça ingerência de Trump nas eleições da Colômbia
Presidente colombiano reage a apoio declarado a candidato da extrema direita no segundo turno
247 - O presidente colombiano, Gustavo Petro, rechaçou nesta quarta-feira (10), a ingerência de Trump, que declarou apoio a Abelardo de la Espriella, candidato da extrema direita que disputa o segundo turno presidencial contra Iván Cepeda, do Pacto Histórico. As eleições serão no dia 21 de junho.
Segundo a teleSUR, depois que Donald Trump afirmou que Bogotá teria “todo o apoio e força” dos Estados Unidos caso De la Espriella vença a eleição presidencial, Petro respondeu em publicação no X e pediu que o mandatário norte-americano não intervenha no processo eleitoral colombiano.
“Não interfira na campanha que é decidida livremente pelo povo da Colômbia, e não por você”, afirmou Petro, dirigindo-se a Trump.
O presidente colombiano também lembrou que a legislação do país impede qualquer tipo de apoio ou financiamento estrangeiro em campanhas eleitorais. “Informo ao presidente Donald Trump que a Constituição colombiana proíbe apoio e financiamento estrangeiro”, escreveu.
Petro afirmou ainda que o uso de recursos externos para tentar influenciar a vontade popular é crime na Colômbia. O presidente citou riscos de manipulação digital, campanhas com inteligência artificial e compra de votos.
“Na Colômbia, é crime o dinheiro estrangeiro tentar modificar a opinião livre dos colombianos por meio de grandes campanhas de inteligência artificial, transformando mentiras em verdades, e é proibido financiar, inclusive, como infelizmente se tornou tradição na Colômbia devido ao narcotráfico e à corrupção: a compra de votos”, declarou.
A manifestação de Petro ocorreu após Trump publicar mensagem na Truth Social em que afirmou que o resultado da eleição colombiana seria decisivo para o futuro das relações entre Colômbia e Estados Unidos. O presidente dos Estados Unidos disse que, se Abelardo de la Espriella vencer, o país sul-americano contará com o “apoio e a força total” de Washington.
Trump afirmou que “os resultados destas eleições são cruciais para o futuro da Colômbia e sua relação com os Estados Unidos, país que, se Abelardo vencer, graças à sua competência e amor por seu país, contará com o apoio e a força total dos Estados Unidos”.
Na resposta, Petro defendeu que as relações entre países não devem ser subordinadas a alinhamentos ideológicos momentâneos. Para o presidente colombiano, a política externa deve se basear em compromissos permanentes com a vida e a liberdade.
“As relações entre países não devem ser construídas sobre ideologias efêmeras, mas sobre pactos pela vida e pela liberdade permanentes, como propus ao presidente Donald Trump, diante do retrato de Abraham Lincoln”, afirmou Petro.
Em outro trecho da publicação, o presidente colombiano questionou o que ocorreria se uma eleição nos Estados Unidos fosse vencida por uma corrente política distinta. “E o que acontece se nas eleições nos EUA ganhar outra maneira de pensar?”, perguntou.
Petro também levantou suspeitas sobre possíveis interesses econômicos por trás da postura de autoridades norte-americanas em relação ao processo colombiano. “Perguntemos se um alto funcionário dos EUA, levando o governo dos EUA a violar a Constituição da Colômbia, tem interesse em ganhar uma mina de ouro no departamento do Cauca, Colômbia”, acrescentou.
Ao defender sua posição, Petro afirmou que sua responsabilidade institucional é proteger a soberania nacional, a liberdade e os direitos do povo colombiano. “Minha função constitucional é defender a soberania da Colômbia, sua liberdade e os direitos e liberdades de todo o seu povo”, disse.
O presidente também sustentou que a amizade histórica entre Colômbia e Estados Unidos deve ser preservada independentemente de quem vença a eleição. “Qualquer um que ganhe manterá a amizade de mais de dois séculos entre Colômbia e os EUA, um porque sua pátria é os EUA e outro porque sua pátria é a Colômbia, amante da liberdade e da vida”, afirmou.
A disputa presidencial colombiana coloca frente a frente Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico, e Abelardo de la Espriella, nome identificado pela teleSUR como representante da extrema direita. Segundo a reportagem, De la Espriella fez doações em milhares de dólares a campanhas do Partido Republicano nos Estados Unidos nos últimos anos.
Petro também aproveitou a manifestação para mencionar a política de seu governo em relação aos cultivos de folha de coca. Segundo ele, a Colômbia conseguiu conter a expansão dessas áreas após o crescimento registrado no governo de Iván Duque.
A campanha eleitoral colombiana entrou em sua fase decisiva sob forte tensão política, marcada por acusações sobre compra de votos, uso de símbolos nacionais e denúncias de tentativa de influência externa. O segundo turno, previsto para 21 de junho, definirá o próximo presidente do país em meio ao debate sobre soberania, relações com Washington e o papel dos Estados Unidos no cenário político colombiano.



