Colômbia retoma negociações de paz com cartel Clã do Golfo
Governo de Gustavo Petro anuncia reconciliação com cartel após suspensão por acordo com os EUA e reforça diálogo para desarmar violência no país
247 - O governo da Colômbia oficializou a retomada das negociações de paz com o Clã do Golfo, principal organização criminosa do país, após a interrupção das conversas há cerca de duas semanas. A suspensão ocorreu em reação a entendimentos firmados pelo presidente Gustavo Petro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visita à Casa Branca no início de fevereiro.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (17) pelo escritório de paz do governo colombiano, que comunicou que os negociadores voltaram a se reunir em Bogotá no dia 9 de fevereiro e consideraram superado o impasse. Em nota, o órgão afirmou que o processo de paz “continua avançando”.
As conversas haviam sido interrompidas depois que Petro concordou com Trump em realizar ações conjuntas para localizar e capturar “Chiquito Malo”, apontado como principal comandante do Clã do Golfo. Na ocasião, o presidente colombiano entregou às autoridades norte-americanas uma lista com nomes de líderes do narcotráfico para obter apoio de inteligência dos Estados Unidos nas operações de captura.
Entre os nomes estavam, além de Chiquito Malo, Iván Mordisco — líder da maior dissidência das FARC — e Pablito, um dos principais dirigentes do Exército de Libertação Nacional (ELN) na região de fronteira com a Venezuela.
A cúpula do Clã do Golfo considerou que os acordos com Washington representavam um “atentado” contra a “boa-fé” do processo e decidiu abandonar a mesa de negociações em Doha, no Catar, onde os diálogos vinham sendo conduzidos desde setembro. Em comunicado divulgado à época, o grupo declarou: “O presidente Petro colocou seus interesses pessoais acima do bem maior, que é a paz nos territórios”.
O governo colombiano e o cartel negociam um possível desarmamento em troca de benefícios legais. Até o momento, as partes haviam alcançado entendimentos preliminares, incluindo a redução da intensidade dos confrontos em regiões do noroeste do país fortemente afetadas pela violência.


