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Cuba avança na transição energética com expansão de energia solar

O objetivo é reduzir a dependência de combustíveis e ampliar a segurança energética

Cuba avança na transição energética com expansão solar (Foto: Prensa Latina )

247 - A transição energética em Cuba avança com a ampliação da energia solar como estratégia central para reduzir a dependência de combustíveis importados e garantir segurança energética. O país busca transformar sua matriz elétrica com fontes renováveis, ampliando rapidamente a capacidade instalada e apostando na geração fotovoltaica.

As informações foram divulgadas pela Prensa Latina, em reportagem assinada por Teyuné Díaz Díaz, com base em entrevista de Ramsés Montes, diretor de Política e Estratégia Nacional de Energia do Ministério de Energia e Minas (Minem).

Segundo Montes, a transição energética na ilha tem caráter estratégico. “A transição energética em Cuba não é uma moda passageira, não é porque o mundo está fazendo isso, é uma questão de segurança nacional”, afirmou. Para isso, o país conta com a Estratégia Nacional para a Transição Energética, aprovada em setembro de 2024, que atualiza diretrizes anteriores e antecede a futura Lei de Transição Energética.

O plano prevê mudanças estruturais na matriz elétrica em três etapas: atingir 24% de geração com fontes renováveis até 2030, 40% até 2035 e alcançar, até 2050, uma matriz baseada em combustíveis fósseis nacionais e energias renováveis. A proposta combina petróleo e gás produzidos internamente com fontes limpas, com destaque para a energia solar fotovoltaica, cuja meta é se consolidar como principal fonte ainda na década de 2030.

Atualmente, a participação da energia solar já apresenta impacto significativo. Durante o dia, cerca de 20% do sistema elétrico é abastecido por fontes renováveis, chegando a até 50% ao meio-dia. Esse desempenho, segundo o dirigente, demonstra a viabilidade de reduzir a dependência de importações de combustíveis.

Além disso, há um programa para ampliar a produção nacional de petróleo e gás, utilizados em usinas termelétricas e na geração elétrica por meio da empresa Energas. A meta é alcançar autossuficiência energética com recursos próprios e de forma sustentável. “Essa é a única maneira de gerar eletricidade para o sistema elétrico nacional com nossos recursos energéticos de forma sustentável, sem prejudicar ou poluir o meio ambiente”, destacou.

A adesão à transição energética também envolve o setor empresarial, tanto estatal quanto privado, além de consumidores individuais, ampliando o alcance das mudanças no país.

Energia solar em expansão

Montes ressaltou que, embora a energia solar exija investimento inicial, seus custos operacionais são reduzidos, com baixa necessidade de manutenção e rápida implementação. Em contraste, a construção de usinas termelétricas pode levar de quatro a cinco anos até entrar em operação.

Com base nisso, a União Elétrica e outras instituições têm acelerado a instalação de parques solares fotovoltaicos. Após acordos firmados em 2025, o país instalou 45 parques com capacidade total de cerca de 984 megawatts (MW), somados aos 265 MW já existentes e a sete novos parques de cinco MW doados pela China, alcançando 1.284 MW de capacidade instalada.

O crescimento da geração solar foi expressivo. Antes, representava cerca de 2% da matriz, chegando a até 5% ao meio-dia. Atualmente, alcança 18% ao longo de 24 horas e cerca de 50% nos horários de maior incidência solar. Para o especialista, trata-se de um avanço significativo no cenário global.

Apesar disso, a população ainda enfrenta déficit energético, associado à falta de combustível — mais de 50% para geração distribuída —, situação atribuída ao bloqueio intensificado pelos Estados Unidos. Mesmo assim, os parques solares têm permitido manter o funcionamento do sistema elétrico sem dependência de combustível importado.

Montes enfatizou a importância estratégica desse avanço: “a energia renovável é nossa e temos condições muito boas”. Ele também relativizou preocupações com variações climáticas, afirmando que “o tempo nem sempre é ruim nessas nações”.

Desafios e metas futuras

O dirigente classificou o progresso do país como excepcional diante das dificuldades econômicas. “Cuba alcançou algo heroico: bloqueada, sem dinheiro e sem recursos, avançou no ESF como nenhum outro país, e se o aumento de mil MW por ano com armazenamento for sustentável, a ilha evitará a dependência de combustíveis fósseis antes de 2030”, afirmou.

Ainda assim, ele reconheceu que manter esse ritmo é desafiador, especialmente diante das sanções que afetam diversos setores e a mobilidade no país. A meta atual é superar os 24% de geração com fontes renováveis e eliminar o déficit energético independentemente do combustível.

A importação de combustíveis, segundo Montes, não é uma solução viável nem sustentável, devido aos custos elevados e aos riscos associados ao bloqueio. Ao mesmo tempo, o aumento da participação da energia solar traz desafios operacionais, como variações na geração causadas por mudanças climáticas, que podem impactar a estabilidade do sistema.

Para enfrentar essas questões, o país investe em sistemas de armazenamento com baterias capazes de simular a estabilidade da geração termelétrica, preparando o sistema elétrico para uma matriz cada vez mais renovável.

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