Solidariedade internacional impulsiona ajuda a Cuba
Movimentos sociais e personalidades de diversos países enviam ajuda humanitária e condenam denunciam impactos do bloqueio à ilha caribenha
247 - Uma ampla mobilização internacional tem reforçado a solidariedade dos movimentos sociais do mundo a Cuba. Nos últimos dias, a chegada de carregamentos de ajuda humanitária ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, simbolizou essa rede global de apoio à ilha caribenha.As informações foram divulgadas pelo jornal cubano Granma, que destacou o papel central da Caravana Nossa América para Cuba, iniciativa que reúne organizações populares, sindicatos, ativistas e lideranças políticas com o objetivo de romper o bloqueio econômico e fortalecer o apoio concreto ao país.
Os envios incluem materiais médicos, produtos de higiene, itens escolares e sistemas de energia solar, destinados a instituições cubanas. Mais do que suprimentos, a mobilização expressa uma posição política clara de enfrentamento ao bloqueio e de defesa da soberania da ilha.
O primeiro carregamento, conhecido como Comboio Europeu, chegou da Itália em 17 de março com cerca de cinco toneladas de insumos médicos. Já o segundo envio, organizado a partir de Nova York por jovens ativistas de direitos humanos, trouxe medicamentos, itens de higiene e materiais escolares.
A operação contou com o apoio da Agência Italiana para o Intercâmbio Cultural e Econômico com Cuba, da Progressive International e de campanhas como Let Cuba Breathe e Let Cuba Live, que mobilizaram contribuições em diversos países.
Rodrigo Zarza, diretor para a Europa do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, ressaltou o caráter político e humano da iniciativa. Segundo ele, a solidariedade internacional ganha ainda mais relevância diante das dificuldades energéticas enfrentadas pela ilha, agravadas pelas medidas dos Estados Unidos. Ele destacou que os carregamentos incluem painéis solares e sistemas fotovoltaicos destinados a unidades de saúde.
A chegada do comboio foi acompanhada por mais de cem representantes de organizações sociais, sindicatos e movimentos políticos de diferentes partes do mundo, incluindo países europeus, além de Argélia, Marrocos e Estados Unidos.
A eurodeputada francesa Emma Fourreau enfatizou o significado político da presença internacional: “É muito importante estar aqui com o povo cubano, que sempre demonstrou solidariedade com os povos de todo o mundo”. Ela também destacou a necessidade de ampliar a mobilização global contra o bloqueio. “O que trazemos hoje é simbólico, não vai resolver as necessidades, mas é um primeiro passo para ampliar o movimento internacional de solidariedade com Cuba”.
Fourreau ainda criticou a cobertura midiática internacional e afirmou: “Lá fora, a imprensa não conta a realidade. Seremos uma voz internacional da causa do povo cubano”.
O eurodeputado belga Marc Botanga reforçou o tom de denúncia e afirmou que Cuba “está sendo sufocado pelas políticas dos Estados Unidos”, destacando a importância da solidariedade ativa. Ele lembrou ainda o apoio prestado por médicos cubanos à Europa durante a pandemia de covid-19.
Já o italiano Lucano Doménico afirmou que Cuba segue como símbolo de resistência e que a mobilização internacional demonstra que a ilha não está isolada. Segundo ele, a atual iniciativa representa apenas o início de um movimento ainda mais amplo de apoio global.
A eurodeputada Ilaria Salís destacou que o envio das cinco toneladas de ajuda é fruto de um esforço coletivo de organizações e indivíduos comprometidos com a solidariedade internacional.
A participação de ativistas dos Estados Unidos também reforça o caráter global e combativo da mobilização. Manolo De los Santos, coordenador do Fórum dos Povos, destacou a dívida histórica de solidariedade com Cuba. “O povo cubano se sacrificou imensamente pela humanidade, pela dignidade de todos os povos do mundo, incluindo o povo dos Estados Unidos”, afirmou.
Ele ressaltou que a ajuda inclui medicamentos para crianças com câncer, analgésicos e um carregamento de painéis solares avaliado em mais de meio milhão de dólares. “Esses módulos permitirão que as salas cirúrgicas continuem funcionando, apesar das dificuldades”, explicou.
A ativista porto-riquenha Niki Franco reforçou o sentido político da mobilização: “É importante lembrar que Cuba não está sozinha”. Segundo ela, o grupo pretende aprofundar o diálogo com a sociedade cubana para compreender as estratégias de resistência diante das sanções.
Vivian Lesmick, também integrante do movimento, destacou o caráter de retribuição da iniciativa. “Cuba é um país que já nos deu tantas coisas, tantas doações médicas, e agora, quando precisa de nós, aqui estamos”, declarou.
A mobilização evidencia a força crescente da solidariedade internacional organizada, que articula movimentos sociais, lideranças políticas e ativistas em defesa de Cuba e contra os impactos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.



