Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

Nathalia Urban
HOME > Sul Global

China reafirma apoio a Cuba e critica bloqueio dos EUA, apontando impactos na população e violação da soberania

Hua Xin, embaixador chinês em Havana, afirmou que as sanções causam sofrimento à população cubana

China faz doação alimentar a Cuba (Foto: Prensa Latina )

247 - A China reiterou seu apoio a Cuba diante do endurecimento do bloqueio dos Estados Unidos e criticou medidas que afetam a soberania e as condições de vida da população cubana. As declarações foram feitas na segunda-feira (16), em Havana. De acordo com a Prensa Latina, o embaixador chinês em Cuba, Hua Xin, afirmou que Pequim se opõe à pressão externa sobre a ilha e pediu o fim das ações consideradas hostis.

O diplomata também criticou as sanções criminosas mantidas por Washington ao longo de mais de seis décadas. "As restrições ilegais impostas por Estados Unidos contra Cuba durante mais de 60 anos causaram um imenso sofrimento ao povo cubano", disse. Hua Xin mencionou ainda o bloqueio às importações de petróleo, classificando a medida como uma violação ao direito de sobrevivência da população e ao desenvolvimento da ilha.

Diálogo e soberania

Sobre as relações entre Cuba e Estados Unidos, o embaixador afirmou que a China apoia o diálogo entre os dois países, desde que baseado em igualdade e respeito. "China compreende e respeita as conversas entre Cuba e Estados Unidos", disse, defendendo negociações que considerem a soberania e a autodeterminação.

O diplomata destacou ainda que Pequim pretende manter a cooperação com Havana, inclusive em projetos no setor energético, com o objetivo de amenizar a crise elétrica enfrentada pela ilha. Ele afirmou que a China está disposta a continuar colaborando com Cuba na defesa de sua soberania nacional e a apoiar a ilha em seu caminho de desenvolvimento socialista, de acordo com suas condições nacionais.

Relações com a América Latina

Hua Xin também comentou a relação da China com países da América Latina e do Caribe e criticou declarações recentes do presidente Donald Trump. "América Latina e o Caribe são uma grande família de países soberanos independentes, e não o quintal de nenhum país", afirmou. Segundo ele, os EUA continuam adotando uma postura baseada na Doutrina Monroe e utilizam argumentos de segurança nacional para limitar a cooperação entre China e países da região. "No cenário internacional do século XXI não se devem repetir os velhos roteiros do século XIX", disse.

O embaixador chinês também condenou as agressões realizadas por Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã sem autorização do Conselho de Segurança da ONU", afirmou. Ele declarou que a ação viola a soberania iraniana e contraria os princípios da Carta das Nações Unidas. "A China se opõe firmemente e condena energicamente este ato", disse, defendendo o respeito à soberania nacional e a não intervenção como base para a resolução de conflitos.

Artigos Relacionados