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Cuba defende multilateralismo como caminho para a paz, diz Miguel Díaz-Canel

Presidente de Cuba defende diplomacia e denuncia impacto de sanções unilaterais na população

Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel 20 de março de 2026 (Foto: Adalberto Roque/Pool via REUTERS)

247 - Cuba reafirmou sua aposta no multilateralismo e na diplomacia como instrumentos essenciais para a manutenção da paz, ao mesmo tempo em que denunciou os efeitos das sanções unilaterais sobre sua população e economia.

A posição foi expressa pelo presidente Miguel Díaz-Canel durante conferência internacional em Genebra, onde o país voltou a criticar medidas coercitivas que, segundo o governo, agravam a crise interna.

A declaração foi feita em mensagem enviada à 2ª Conferência Internacional sobre Medidas Coercitivas Unilaterais, realizada até 10 de abril na Suíça, conforme divulgado pelo jornal estatal cubano Granma. No comunicado, Díaz-Canel destacou a confiança de Cuba na cooperação internacional, apesar do cenário adverso.

“Apesar do atual contexto adverso, Cuba confia e se apoia no multilateralismo e na diplomacia como as únicas ferramentas eficazes para manter a paz, a convivência civilizada e o desenvolvimento sustentável”, afirmou o presidente cubano.

O chefe de Estado também agradeceu o apoio internacional diante das dificuldades enfrentadas pelo país. “Desta pequena nação que resiste com dignidade ao assédio do bloqueio em todas as suas formas agressivas, agradeço profundamente as manifestações de solidariedade internacional e o apoio que temos recebido nestes tempos difíceis”, declarou.

Díaz-Canel citou como exemplo recente a chegada de um petroleiro russo à ilha, que, segundo ele, evidenciou o impacto das restrições energéticas. “Há alguns dias, a chegada de um petroleiro russo a um porto cubano foi notícia em todo o mundo. Centenas de veículos de comunicação acompanharam a rota do navio com um interesse incomum”, disse, ao lembrar que o país enfrentava mais de três meses de bloqueio energético.

O presidente classificou o episódio como simbólico diante das dificuldades impostas ao país. “Diante do objetivo criminoso de sufocar nossa economia, as 100 mil toneladas de combustível do Anatoly Kolodkin se tornaram um evento absolutamente extraordinário”, afirmou, questionando: “Quando um ato tão comum entre nações soberanas se torna um evento tão extraordinário?”.

Na avaliação do governo cubano, as sanções resultam em uma “punição coletiva prolongada”, que afeta diretamente a população. Díaz-Canel apontou problemas como cortes frequentes de energia, escassez de água e gás e dificuldades no cotidiano das famílias. “Em Cuba, as pessoas estão sofrendo com cortes de energia diários prolongados, escassez de água e gás liquefeito, o que torna as tarefas domésticas um verdadeiro fardo”, destacou.

O impacto também atinge o sistema de saúde, segundo o presidente. Ele afirmou que mais de 96 mil cubanos aguardam cirurgias devido à falta de energia, enquanto milhares de pacientes dependentes de radioterapia e hemodiálise enfrentam interrupções nos serviços. O setor educacional e o transporte também foram afetados, com adoção de ensino híbrido e paralisação parcial da mobilidade.

Além dos números, Díaz-Canel chamou atenção para os efeitos sociais e psicológicos da crise. “É impossível quantificar o esgotamento físico e psicológico, as carências diárias, o adiamento de sonhos e a guerra midiática a que um povo nobre, resiliente e solidário como o nosso é submetido”, afirmou.

O presidente questionou ainda a legitimidade das sanções e cobrou maior atuação internacional. “Que país pode viver e se desenvolver sob essa pressão? Que direito tem a maior potência econômica do mundo de cometer tal abuso contra um pequeno país em desenvolvimento?”, indagou.

No âmbito da conferência, Cuba defendeu ações concretas contra medidas coercitivas unilaterais, incluindo a criação de um grupo de trabalho no Conselho de Direitos Humanos da ONU e a adoção de um instrumento jurídico internacional que obrigue o fim dessas sanções e responsabilize seus autores.

Ao final, Díaz-Canel reiterou a resistência do país e agradeceu o apoio recebido. “Les aseguro que el pueblo cubano no olvidará a los que, frente al atropello y el chantaje, se colocaron del lado de la justicia”, afirmou, acrescentando que a população cubana continuará defendendo sua soberania “frente ao apetite voraz do império que nos agride”.

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