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Cuba diz que diálogo com EUA está em fase inicial

Díaz-Canel afirma que contatos com Washington destacam temas como segurança, economia e meio ambiente

Díaz-Canel, presidente de Cuba (Foto: Prensa Latina)

247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que os contatos recentes entre seu governo e a administração dos Estados Unidos ainda se encontram em estágio preliminar, dentro de uma estratégia histórica da ilha de buscar soluções diplomáticas para divergências bilaterais. As declarações foram feitas em entrevista ao político e jornalista espanhol Pablo Iglesias.

As informações foram divulgadas pela Telesur, com base em dados da Presidência de Cuba e agências internacionais, ao detalhar os avanços e limites das conversas entre Havana e Washington.

Segundo Díaz-Canel, os diálogos vêm sendo facilitados por intermediários internacionais, cuja identidade permanece sob sigilo devido à sensibilidade do processo. O presidente ressaltou que a disposição ao diálogo não representa uma mudança de rumo, mas sim a continuidade de uma política adotada há mais de seis décadas pela Revolução Cubana.

“A Revolução sempre, desde os primeiros anos, afirmou que estava disposta a ter um diálogo com o governo dos EUA sobre posições de respeito e igualdade, sem pressões e sem condicionamentos, para encontrar soluções às nossas diferenças. Ou seja, essa disposição esteve ao longo de toda a Revolução. Portanto, isso que estamos colocando agora não contradiz em nada a história da Revolução”, afirmou.

O chefe de Estado recordou tentativas anteriores de aproximação com governos norte-americanos, desde a administração de John F. Kennedy até o período de Barack Obama, destacando especialmente o processo de normalização iniciado durante os mandatos de Raúl Castro e Obama como prova da viabilidade de relações civilizadas entre os dois países.

Díaz-Canel também negou categoricamente especulações sobre possíveis divisões internas na liderança cubana. Ele garantiu que o atual processo de diálogo conta com a orientação de Raúl Castro e o respaldo das instâncias colegiadas do país, que definem as diretrizes estratégicas diante das tensões externas.

De acordo com o presidente, autoridades cubanas já mantiveram conversas com o Departamento de Estado dos Estados Unidos para discutir divergências e identificar possíveis áreas de cooperação. Entre os temas citados estão a participação norte-americana na economia cubana, ações conjuntas no combate ao narcotráfico e ao terrorismo, além de iniciativas em proteção ambiental, migração, ciência e educação.

Apesar da abertura ao diálogo, o governo cubano estabeleceu limites claros para qualquer negociação. Díaz-Canel reiterou que a soberania nacional, a independência do país e o sistema político socialista não estão em discussão, defendendo que qualquer avanço deve ocorrer com base no respeito mútuo e na reciprocidade.

O presidente também voltou a criticar o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, apontando-o como o principal obstáculo para uma relação mais equilibrada entre os dois países.

“Nós não bloqueamos os EUA. O bloqueio é uma decisão unilateral do seu governo”, declarou.

Em publicação nas redes sociais, Díaz-Canel classificou o encontro com Pablo Iglesias como uma oportunidade relevante de diálogo sobre os desafios enfrentados por Cuba.

“Foi um prazer conhecer pessoalmente Pablo Iglesias e conversar com ele por mais de uma hora sobre o bloqueio energético e outros problemas que enfrenta a ilha caribenha, sob os rigores de seis décadas de guerra econômica e em um contexto universal repleto de incertezas e ameaças”, escreveu.

As declarações reforçam a posição do governo cubano de buscar avanços diplomáticos sem abrir mão de princípios considerados centrais, ao mesmo tempo em que aponta para possíveis áreas de cooperação em um cenário internacional marcado por tensões e incertezas.

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