HOME > América Latina

CUT declara oposição a Espriella e convoca frente ampla na Colômbia

Central sindical afirma que eventual governo de Abelardo de la Espriella ampliaria neoliberalismo, perseguição política e ingerência externa

Cepeda e dirigentes sindicais (Foto: Cut Colômbia)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia (CUT) declarou oposição a um eventual governo de Abelardo de la Espriella e afirmou que sua chegada ao poder ampliaria políticas neoliberais, perseguição política e ingerência externa no país, as informações são da teleSUR, com base em nota divulgada pela própria central sindical.

Segundo a emissora, a manifestação da CUT ocorre enquanto prossegue o processo de contagem detalhada dos votos, que deverá ser validado por juízes, conforme a legislação eleitoral, antes da divulgação dos resultados oficiais da eleição presidencial.

A entidade sindical afirmou que o candidato da direita representa uma agenda oposta à do governo de Gustavo Petro e à proposta de fazer da Colômbia uma potência mundial da vida. A CUT também associou sua posição à defesa do programa representado por Iván Cepeda, candidato que, segundo a central, defende avanços sociais, aprofundamento da democracia e soberania nacional.

Em comunicado, a organização foi enfática ao definir sua posição diante do cenário eleitoral. “A CUT se declara em oposição ao governo fascista e neoliberal de Abelardo De la Espriella”, afirmou a central.

A CUT afirmou que um eventual governo liderado por De la Espriella estaria marcado por alinhamento a interesses externos, práticas de perseguição contra adversários políticos e disposição para recorrer ao uso da força como instrumento de ação política.

Ingerência dos Estados Unidos é criticada pela central sindical

Um dos pontos centrais da crítica da CUT é a avaliação de que um governo De la Espriella abriria espaço para uma maior intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos da Colômbia. A entidade citou o apoio recebido por ele durante a campanha eleitoral por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e relacionou esse respaldo à proposta de adesão colombiana ao chamado Escudo das Américas.

Segundo a central, essa iniciativa teria como objetivo restabelecer a subordinação da América Latina e do Caribe aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos. “Isso decorre do apoio que, durante a campanha eleitoral, o presidente dos Estados Unidos deu a Abelardo de la Espriella e das propostas que hoje são apresentadas para que a Colômbia ingresse no denominado Escudo das Américas, um projeto orientado a restabelecer a subordinação da América Latina e do Caribe aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos”, afirmou a organização.

A CUT também associou a postura do candidato às “atuais aventuras guerreiristas promovidas por Donald Trump”, que, segundo a entidade, se baseiam na imposição da força como forma de alcançar objetivos políticos.

Central acusa candidato de estimular perseguição política

A organização sindical afirmou ainda que um eventual governo de Abelardo de la Espriella “estaria marcado por uma política de estigmatização e aberta perseguição contra aqueles que se oponham a seus postulados e decisões”. A referência foi feita após declarações atribuídas ao candidato de ultradireita sobre “destripar” adversários políticos.

Para a CUT, esse tipo de discurso remete a episódios graves da história recente da Colômbia, incluindo os chamados falsos positivos durante o governo de Álvaro Uribe Vélez e a repressão ao levante social no governo de Iván Duque.

“Isto remete a episódios dolorosos de nossa história recente, como os 7.837 falsos positivos ocorridos durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, assim como à resposta repressiva do governo de Iván Duque diante do levante social, que deixou cerca de 86 pessoas assassinadas, centenas de feridas e mais de 100 jovens com lesões oculares permanentes”, afirmou a CUT.

A entidade também declarou que a política de estigmatização já estaria sendo anunciada contra o sindicalismo, a Fecode, jornalistas e outros setores sociais e políticos. “Esta política de estigmatização já está sendo anunciada pelo senhor Abelardo De la Espriella contra o sindicalismo, Fecode, os jornalistas e outros setores sociais e políticos. Em uma frase: destripar a esquerda e perseguir a oposição, traços característicos do fascismo”, afirmou a central.

CUT vê risco de privatizações e retirada de direitos

No campo econômico, a CUT afirmou que um governo de De la Espriella aprofundaria a privatização de entidades estatais e de serviços vinculados a direitos fundamentais. A central também apontou risco de precarização do trabalho, eliminação de garantias democráticas e restrição de direitos de organizações políticas, sociais e populares.

“Trata-se da ortodoxia neoliberal que fracassou tanto no âmbito internacional como nacional. Tudo isso conduziria a um aumento da desigualdade, do desemprego e da pobreza”, afirmou a entidade.

O presidente da CUT Nacional, Fabio Arias Giraldo, também criticou as propostas atribuídas a De la Espriella. Segundo ele, o candidato já sustentou que pretende reduzir o Estado e aplicar políticas neoliberais, o que, na avaliação da central, significaria desemprego, desigualdade e pobreza na Colômbia.

Frente ampla pela vida

A CUT reafirmou que está à disposição para construir, em conjunto com outras forças políticas, sociais, sindicais e populares, uma grande Frente Ampla pela Vida. Segundo a entidade, o objetivo é articular esforços para fortalecer a defesa da paz, da vida digna, da democracia e da soberania nacional.

A central também afirmou que a agenda defendida por Iván Cepeda representa avanços em direitos para os setores populares, melhoria das condições materiais de vida, aprofundamento da democracia e defesa da soberania nacional.

Apuração segue sob contestação

De acordo com os dados provisórios citados pela teleSUR, Abelardo de la Espriella aparecia com 49,66% dos votos apurados, enquanto Iván Cepeda registrava 48,70%. A campanha de Cepeda apresentou 57.189 reclamações relacionadas a denúncias de irregularidades e fraude no processo eleitoral.

Entre os questionamentos mencionados estão suspeitas de compra de votos, suplantação de identidade, cédulas já marcadas a favor do candidato conservador e atas de votação sem assinaturas de testemunhas eleitorais.

Antes da eleição, o presidente Gustavo Petro denunciou que o software usado para a contagem rápida de votos seria vulnerável e poderia ser manipulado para alterar a votação. A campanha de Cepeda também denunciou o uso de coação sobre eleitores em determinadas áreas para favorecer resultados em benefício da direita.

Enquanto a autoridade eleitoral não conclui a contagem detalhada e a validação oficial, a CUT afirma que manterá sua posição de oposição a um eventual governo de Abelardo de la Espriella e defenderá a articulação de setores sociais e políticos em torno da paz, da democracia e da soberania colombiana.

Artigos Relacionados