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Celso Amorim vê "avanço indiscutível" da direita na América Latina, mas diz que Brasil possui "capacidade de resistência"

Diplomata afirma que instituições brasileiras estão preparadas para enfrentar pressões externas

O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Ag. Senado)
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247 - O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, avaliou que “há um movimento forte e indiscutível pra direita na região"., mas que o Brasil possui condições institucionais para enfrentar esse cenário e preservar a estabilidade democrática.

Em entrevista à colunista Janaína Figueiredo, do UOL, o diplomata analisou os desdobramentos políticos da eleição presidencial na Colômbia e os possíveis impactos para a região. Segundo ele, embora exista uma tendência de fortalecimento da direita em diversos países latino-americanos, o contexto brasileiro apresenta características próprias.

“Há movimento forte e indiscutível pra direita na região”, afirmou o diplomata. Ao comentar a situação do Brasil, contudo, Amorim ressaltou que o país possui mecanismos de proteção institucional mais robustos. “No Brasil há uma situação diferente. Temos vacinas de governos anteriores [em referência ao governo Bolsonaro]”. “No Brasil haverá capacidade de resistência”, afirmou mais à frente.

Questionado sobre o apoio do advogado colombiano Abelardo de la Espriella — apontado como provável vencedor da disputa presidencial em seu país — ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Amorim minimizou eventuais consequências para a política brasileira. Segundo ele, preferências ideológicas ou partidárias não alteram o funcionamento das instituições nacionais. “Ele [De la Espriella] poderá ter preferências, mas terá de respeitar nossas instituições fortes”, declarou.

Amorim também comentou a influência exercida pelos Estados Unidos na campanha eleitoral colombiana. Na avaliação do assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, (PT) é improvável que uma interferência semelhante produza os mesmos efeitos no Brasil.

“No Brasil pode ter até o efeito contrário. Quando houve críticas e ataques [ao governo Lula por parte do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump], essas atitudes ajudaram a popularidade do presidente Lula”, afirmou.

O diplomata acrescentou que o país está mais preparado para enfrentar possíveis ações externas que possam comprometer o processo democrático. “Mas estamos mais prevenidos do que outras vezes para enfrentar eventuais ações ilegais, não digo de Trump, mas talvez de Big Techs”, disse.

Apesar das diferenças ideológicas, Amorim indicou que a política externa brasileira deverá manter uma postura pragmática caso a vitória de De la Espriella seja oficialmente confirmada pelas autoridades eleitorais colombianas. A expectativa do governo brasileiro é preservar o diálogo institucional independentemente da orientação política do futuro mandatário.

Enquanto isso, lideranças da direita brasileira já demonstram aproximação com o provável novo presidente colombiano. Após a divulgação da chamada contagem rápida de votos, o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro utilizaram as redes sociais para parabenizar De la Espriella.

A relação entre a família Bolsonaro e o político colombiano é recente e tem como uma das principais articuladoras a senadora Maria Fernanda Cabal, figura influente da direita colombiana e próxima de Eduardo Bolsonaro.

Nos bastidores da política em Bogotá, cresce a expectativa de um estreitamento das relações entre lideranças conservadoras da América Latina. Entre as possibilidades discutidas está a presença de Flávio Bolsonaro na cerimônia de posse de De la Espriella, caso a vitória seja homologada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) nos próximos dias. Tradicionalmente, as cerimônias de transmissão de poder na Colômbia são realizadas no início de agosto.

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