Delcy Rodriguez anuncia volta das relações da Venezuela com o FMI
Medida abre acesso a mais de US$ 5 bilhões em reservas internacionais congeladas
247 - A Venezuela voltou a manter relações formais com o Fundo Monetário Internacional (FMI) após seis anos de bloqueio institucional, em um movimento que pode liberar mais de US$ 5 bilhões em reservas internacionais congeladas e impulsionar a recuperação econômica do país, informa a Telesur. O anúncio foi feito pela presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, que destacou o impacto da decisão para a normalização financeira e institucional da nação.
Rodríguez comunicou a retomada durante uma mensagem à nação nesta quinta-feira (16), ocasião em que também promulgou a Lei Orgânica de Minas. A dirigente classificou o avanço como resultado de uma articulação diplomática prolongada e estratégica.
Segundo a presidenta encarregada, o restabelecimento do diálogo com o FMI representa “um grande logro da diplomacia da Venezuela”. Ela agradeceu nominalmente a diferentes atores internacionais que participaram do processo, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio, além de Emirados Árabes Unidos, Brasil e Qatar.
Rodríguez enfatizou que o acordo foi fruto de negociações intensas e enfrentou tentativas de bloqueio político. “Não foi um gesto protocolar. Foi o mapa de uma negociação que tardou meses em se concretizar e que a ultradireita venezuelana tentou sabotar sem sucesso”, afirmou. Em outro momento, criticou a atuação de setores opositores: “É muito lamentável que o extremismo venezuelano se deu à tarefa de visitar capitais da Europa e outros países para tentar impedir este passo tão importante para nossa economia”.
A retomada das relações foi formalizada pela diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, que informou que a decisão seguiu a opinião majoritária dos países membros do organismo, com base no poder de voto. Na prática, o movimento indica o reconhecimento do governo venezuelano como interlocutor legítimo no sistema financeiro internacional.
Na mesma linha, o Banco Mundial também anunciou a reativação de seus vínculos com Caracas. A suspensão dessas relações remonta a março de 2019, quando o FMI passou a reconhecer a oposição parlamentar como representante do país, em meio à política de sanções internacionais liderada por Washington.
Desde então, a Venezuela ficou fora das consultas do Artigo IV — mecanismo de avaliação econômica do FMI — e teve suas reservas bloqueadas. Entre os valores retidos estão cerca de 3,568 bilhões em direitos especiais de giro, equivalentes a aproximadamente US$ 5,1 bilhões.
Rodríguez afirmou que esses recursos serão destinados à recuperação de serviços públicos e à reativação econômica. “Estamos dando normalização a todos os processos que implicam direitos da Venezuela no organismo”, declarou, destacando também o papel estratégico do país na região.
O anúncio ocorre em um contexto de mudanças políticas internas. Um relatório recente da consultoria Hinterlaces sobre os primeiros 100 dias da atual gestão aponta avanços como fortalecimento institucional, continuidade do projeto bolivariano e ampliação do diálogo internacional.
“Estabilidade institucional, abertura econômica e diálogo estratégico para proteger o país e reativar seu rumo econômico”, resume o estudo. Ao mencionar a história do país no organismo, Rodríguez lembrou que a Venezuela integra o FMI desde 1946 e que a última consulta do Artigo IV ocorreu em 2004, encerrando um período de mais de duas décadas sem interlocução direta.


