Díaz-Canel afirma que Cuba não ameaça nenhum país, mas tem direito de se defender
Presidente cubano afirma que a ilha não tem planos agressivos e denuncia escalada de sanções econômicas de Washington
247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Cuba não ameaça nenhum país, não tem planos agressivos e enfrenta uma escalada de sanções econômicas de Washington, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos. As informações são do jornal Granma.
Segundo o jornal, Díaz-Canel, que também é primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, usou sua conta no X para rebater acusações feitas por Washington e reafirmar o direito de defesa da ilha diante de uma eventual agressão militar.
“As ameaças de agressão militar contra Cuba pela maior potência mundial são bem conhecidas. A própria ameaça constitui um crime internacional. Se se concretizar, causará um banho de sangue com consequências incalculáveis, além do impacto destrutivo na paz e na estabilidade regional”, declarou o presidente cubano.
Díaz-Canel também afirmou que “Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país”. A declaração foi feita em resposta ao argumento de Washington de que a ilha representaria uma ameaça à segurança dos Estados Unidos e da região.
O presidente cubano disse ainda que não existe, nem jamais existiu, qualquer plano para atingir os Estados Unidos. Segundo ele, essa realidade é conhecida pelo governo norte-americano, “especialmente suas agências de defesa e segurança nacional”.
Direito de defesa
Ao comentar a possibilidade de uma ofensiva militar, Díaz-Canel destacou que Cuba já enfrenta uma “agressão multidimensional” por parte dos Estados Unidos e afirmou que a ilha tem direito legítimo de se defender.
“Cuba, que já sofre agressão multidimensional por parte dos Estados Unidos, tem o direito absoluto e legítimo de se defender contra um ataque militar, o que não pode ser usado lógica ou honestamente como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano”, afirmou.
A manifestação ocorre em um contexto de endurecimento das medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba. Em 29 de janeiro de 2026, Washington declarou “estado de emergência nacional” com base na alegação de que Cuba representaria uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA e da região.
De acordo com a acusação norte-americana, a ilha estaria alinhada a países considerados hostis por Washington, abrigaria grupos terroristas e permitiria o deslocamento de capacidades militares russas e chinesas em seu território. O governo cubano rejeita essa narrativa e a classifica como parte de uma tentativa de justificar novas pressões contra o país.
Sanções econômicas
A tensão aumentou em 1º de maio de 2026, quando os Estados Unidos assinaram uma nova regulamentação que representa um ato de agressão econômica. A medida amplia o alcance extraterritorial do bloqueio ao autorizar sanções secundárias contra pessoas e entidades não norte-americanas.
Entre os possíveis alvos estão bancos estrangeiros e empresas que operem em setores estratégicos da economia cubana, como energia, defesa, mineração, serviços financeiros e segurança. Para Havana, a iniciativa busca isolar ainda mais o país e pressionar parceiros internacionais que mantenham relações econômicas com a ilha.
A ofensiva econômica também inclui um embargo de petróleo imposto em janeiro. O governo cubano sustenta que essas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla de pressão política, econômica e militar conduzida por Washington.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que os Estados Unidos estão montando “um caso fraudulento para justificar a guerra econômica implacável e a eventual agressão militar”. A declaração reforça a posição de Havana de que as medidas adotadas por Washington buscam criar uma justificativa política para ampliar o cerco contra Cuba.



