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Díaz-Canel denuncia bloqueio energético dos Estados Unidos

Presidente cubano afirma que escassez de combustível causada pelo bloqueio ampliou os apagões no país

Miguel Diaz-Canel, 20 de março de 2026 (Foto: Adalberto Roque/Pool via REUTERS)
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247 - O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que a escassez de combustível causada pelo bloqueio energético dos Estados Unidos ampliou os apagões em Cuba e levou o país a prever, nesta quarta-feira (13), um déficit superior a 2.000 megawatts no período de maior demanda.

Segundo a Prensa Latina, Díaz-Canel atribuiu a deterioração do sistema elétrico cubano à política de estrangulamento contra o país. “Hoje, prevê-se um déficit de mais de 2.000 MW para o período de pico de demanda. Essa piora drástica tem uma única causa: o bloqueio energético genocida imposto ao nosso país pelos Estados Unidos, que ameaça com tarifas irracionais qualquer nação que nos forneça combustível”, declarou o chefe de Estado.

Escassez de combustível pressiona geração elétrica

O presidente cubano afirmou que a falta de combustível tem impacto direto na capacidade de geração de energia da ilha. De acordo com ele, a eletricidade que deixa de ser produzida em razão da escassez chega a 1.100 MW nesta quarta-feira, agravando os cortes no fornecimento.

“Nesta quarta-feira, por exemplo, a quantidade de eletricidade gerada em Cuba devido à escassez de combustível causada por este bloqueio criminoso chega a 1.100 MW. A melhor demonstração do que estamos dizendo é a significativa melhoria no serviço durante o mês de abril. A chegada de apenas um navio-tanque a um porto cubano, dos oito necessários no mínimo a cada mês, permitiu reduzir o déficit e, consequentemente, os apagões, que, embora não tenham desaparecido completamente, foram significativamente atenuados”, acrescentou.

Para Díaz-Canel, o episódio demonstra que a crise elétrica está diretamente vinculada às restrições impostas ao abastecimento de combustível. Ele sustentou que a chegada de um único navio-tanque foi suficiente para aliviar parte do problema, ainda que de forma limitada, ao reduzir o déficit e diminuir a intensidade dos apagões.

Díaz-Canel acusa Washington de tentar sufocar Cuba

O presidente cubano também afirmou que setores da imprensa dos Estados Unidos reconheceram, nos últimos dias, a resistência do povo cubano e a unidade do governo diante das medidas de pressão econômica e energética. Segundo ele, esses veículos tiveram de admitir que a crise enfrentada pela ilha decorre de uma guerra econômica severa e de uma perseguição ao abastecimento energético.

“Em resumo: o que os porta-vozes do regime dos EUA tentam mostrar ao mundo como consequência direta da má gestão do governo cubano é, na verdade, resultado de um plano perverso que visa levar a escassez e as dificuldades da população a níveis extremos.”

Díaz-Canel relacionou o agravamento da situação às medidas restritivas adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba, incluindo ações do primeiro governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Nem o bloqueio imposto há mais de seis décadas, nem as 243 medidas restritivas impostas pelo governo Trump anterior, conseguiram destruir a Revolução”, afirmou o presidente.

Governo cubano diz que bloqueio busca pressionar população

O chefe de Estado classificou a nova ordem executiva que bloqueia completamente o fornecimento de combustível como parte de um projeto cujo objetivo central seria provocar sofrimento generalizado. Segundo Díaz-Canel, a intenção dessa política é transformar a população cubana em refém das dificuldades materiais e, com isso, colocá-la contra o governo.

Ele também afirmou que o alívio parcial de algumas medidas de bloqueio, ocorrido há alguns anos, mostrou que Cuba e Estados Unidos poderiam obter benefícios mútuos em relações comerciais e em áreas de desenvolvimento econômico e social caso essa política não existisse.

Apesar da crise, Díaz-Canel afirmou que Cuba manterá sua posição de resistência e disposição ao diálogo, desde que em condições de igualdade. “Nossa resposta permanece a mesma: sempre abertos ao diálogo em igualdade de condições, continuaremos a resistir e a criar, cada vez mais convictos de que cabe a nós superar as enormes dificuldades por meio de nossos próprios esforços, unidos como nação e resolutos em enfrentar os desafios mais difíceis”, afirmou.

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