Díaz-Canel critica ameaça e novas sanções dos EUA contra Cuba: “evidência de pobreza moral”
Presidente cubano reage à fala de Trump sobre “tomar o controle” da ilha e acusa Washington de reforçar bloqueio econômico
247 - O presidente cubano Miguel Díaz-Canel criticou as novas medidas coercitivas anunciadas pelos Estados Unidos contra Cuba e acusou Washington de reforçar o bloqueio econômico imposto à ilha. A reação ocorre em meio a uma escalada de tensão entre os dois países, marcada por sanções e declarações de Donald Trump sobre uma eventual ação no Caribe.
Em manifestação nas redes sociais, Díaz-Canel afirmou que as medidas ampliam a pressão contra Havana e expõem, segundo ele, a postura do governo norte-americano: “Hoje, o governo dos EUA anunciou novas medidas coercitivas que reforçam o brutal bloqueio genocida, como evidência de sua pobreza moral e do desprezo pela sensibilidade e pelo senso comum dos estadunidenses e de toda a comunidade internacional”.
O presidente cubano também rejeitou a justificativa de que a ilha represente ameaça aos Estados Unidos: “Ninguém honesto pode aceitar a desculpa de que Cuba seja uma ameaça para esse país”.
Ao comentar os efeitos das restrições, Díaz-Canel afirmou que o endurecimento do bloqueio provoca danos ao país e está ligado à postura de intimidação de Washington: “O bloqueio e seu reforço causam tanto dano devido à conduta intimidatória e arrogante da maior potência militar do planeta”.
Já o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, adotou tom semelhante ao reagir à escalada norte-americana. Para ele, a combinação entre novas sanções e ameaça militar eleva a pressão contra Cuba a um patamar mais grave: “A nova ameaça clara e direta de agressão militar, emitida pelo presidente dos EUA, depois de reforçar de modo drástico o bloqueio econômico, eleva a agressão contra Cuba a níveis perigosos, sem outro pretexto além do desejo de satisfazer elites minúsculas que lhe prometem lealdade eleitoral e financeira”.
Rodríguez também afirmou que a população cubana não se deixará intimidar pelas declarações vindas de Washington: “Os cubanos não nos deixamos amedrontar. A resposta decidida do povo e seu apoio à Revolução se demonstraram massivamente neste Primeiro de Maio”.
As reações das autoridades cubanas vieram depois de Donald Trump afirmar que pretende “tomar o controle” de Cuba e mencionar o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Caribe.
A declaração foi feita durante encontro com aliados políticos e empresários no Fórum Club da Flórida. Trump disse que, após a conclusão das operações militares americanas no Irã, o USS Abraham Lincoln seria enviado ao Caribe como parte de uma operação naval.
Segundo Trump, “quando os porta-aviões voltarem do Irã, tomaremos o controle de Cuba quase que imediatamente”. Ele também afirmou que a estratégia teria como objetivo pressionar a ilha até a “rendição” e disse que, em sua avaliação, os cidadãos cubanos agradeceriam pela ação.


