Trump intensifica ofensiva e anuncia novo pacote de sanções contra Cuba
Havana denuncia medidas ilegais e abusivas e destaca mobilização em defesa da soberania diante da escalada de pressão dos EUA
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (1º) um novo pacote de sanções contra Cuba, com o objetivo de aumentar a pressão sobre o governo da ilha. Segundo a Casa Branca, as medidas buscam enfraquecer o país caribenho, que, de acordo com Trump, "continua a representar uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos EUA.
Segundo a AFP, em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, criticou a decisão e classificou as sanções como "ilegais e abusivas". O chanceler cubano reagiu em publicação nas redes sociais, criticando as medidas anunciadas por Washington.
"Repudiável, mas curioso e ridículo. O governo dos EUA está alarmado e responde com novas medidas coercitivas unilaterais, ilegais e abusivas contra Cuba, à marcha do Dia do Trabalho de mais de meio milhão de cubanos em Havana, liderada pelo General do Exército Raúl Castro e pelo presidente [Miguel] Díaz-Canel, e às assinaturas de 6 milhões de cubanos (81% da população com mais de 16 anos) em defesa da pátria sob ameaça militar, denunciando o bloqueio intensificado e o embargo energético", disse.
Novas sanções
Trump determinou que sua administração imponha sanções a bancos estrangeiros que mantêm relações com o governo cubano. O pacote também prevê o endurecimento das regras migratórias e atinge indivíduos ligados aos setores de energia e mineração, além de pessoas envolvidas, segundo o governo estadunidense, em "graves violações dos direitos humanos".
A gestão Trump acusa Havana de adotar "políticas e práticas destinadas a prejudicar os Estados Unidos", consideradas incompatíveis com os "valores morais e políticos de sociedades livres e democráticas", conforme o decreto presidencial.
Contexto de tensão
O anúncio das sanções ocorre no mesmo dia em que milhares de pessoas participaram de uma marcha em frente à embaixada dos EUA em Havana para defender a soberania da ilha e denunciar ameaças de agressão militar, em meio ao aumento das tensões entre os dois países.
Além do embargo econômico criminoso em vigor desde 1962, Washington também impôs, desde janeiro, restrições ao fornecimento de petróleo a Cuba, permitindo a entrada de apenas um petroleiro russo no país desde então.
As restrições contribuíram para a crise energética enfrentada no país. A escassez de combustível está associada a apagões nacionais e à suspensão de voos por parte de companhias aéreas estrangeiras que operavam na ilha.


