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Cuba reúne multidões no 1º de Maio contra bloqueio dos EUA

O ato comemorativo do 1º de Maio foi liderado por Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel

Primeiro de Maio em Cuba, 2026 (Foto: Presidência de Cuba )

247 - Cuba reuniu multidões no 1º de maio contra o bloqueio dos EUA em um ato liderado por Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel, segundo cobertura especial publicada pelo jornal cubano Granma sobre as celebrações do Dia Internacional do Trabalhador. Em Havana, mais de 500 mil pessoas se concentraram na Tribuna Anti-Imperialista José Martí, em uma mobilização marcada pela defesa da soberania nacional, pela denúncia das sanções norte-americanas e pelas homenagens ao centenário de nascimento de Fidel Castro Ruz.

A cerimônia também contou com dirigentes do governo, representantes sindicais, organizações de massa, integrantes da União da Juventude Comunista, membros das Forças Armadas Revolucionárias, do Ministério do Interior, diplomatas e delegações internacionais.

A principal mensagem das comemorações foi a defesa da Pátria diante do bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético imposto pelos Estados Unidos. As pressões foram agravadas por uma ordem executiva do governo Trump de janeiro de 2026. Em nome dos trabalhadores do setor químico, Yolaidis Hernández Valdés criticou as medidas norte-americanas e afirmou que a indústria cubana busca alternativas para manter sua produção. “Não vamos parar. Temos a responsabilidade de nos reinventar para crescer”, declarou.

A dirigente destacou que, mesmo diante das dificuldades, empresas cubanas têm apostado em inovação, autogestão financeira e substituição de importações. “Quando transformamos desafios em oportunidades, construímos nossa nação, fazemos uma revolução”, disse.

Hernández Valdés também rejeitou a ideia de que Cuba represente uma ameaça internacional. “Cuba representa uma ameaça incomum e extraordinária para alguém? Não, e mil vezes não. Este é um povo de solidariedade, internacionalismo, anti-imperialismo e paz”, afirmou.

A mobilização em Havana reuniu ainda 827 amigos de Cuba, vindos de 38 países, além de representantes de 152 organizações sindicais e de solidariedade. Heróis trabalhistas, fundadores da Central Sindical dos Trabalhadores de Cuba e integrantes do corpo diplomático acreditado na ilha também participaram da cerimônia.

Outro ponto destacado foi a campanha “Minha Assinatura pela Pátria”. Segundo a cobertura, 6.230.973 cubanos com mais de 16 anos assinaram a iniciativa contra o bloqueio, o embargo energético e a guerra. A coleta começou em 19 de abril de 2026, data associada ao 65º aniversário da vitória cubana em Playa Girón, e foi encerrada pouco antes do ato nacional do Dia Internacional do Trabalhador.

Durante a cerimônia, dois livros com assinaturas e um gráfico com o total de participantes foram entregues simbolicamente a Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel. A ação foi apresentada como uma demonstração de apoio popular à soberania cubana.

O presidente do Comitê Organizador do 22º Congresso da Central Sindical dos Trabalhadores de Cuba, Osnay Miguel Colina Rodríguez, afirmou que a presença popular frustrou as expectativas dos adversários da ilha. “Nossos inimigos tentaram de tudo. Pensaram que nos veriam aflitos, rendidos, e aqui estamos nós, determinados e firmes, com o pé no estribo e lutando”, declarou.

Colina Rodríguez classificou a concentração como “o Primeiro de Maio de Fidel no ano do seu centenário” e afirmou que as ruas cheias mostraram que “haverá uma Cuba socialista e anti-imperialista por muito tempo, sem rendição ou esquecimento da história, sem trair a glória que já foi conquistada”.

O dirigente sindical também criticou o cenário internacional e associou a mobilização cubana à resistência contra pressões externas. “No século XXI, onde a extrema-direita e o neofascismo buscam dominar sem resistência, reafirmamos nossa linhagem Mambí e rebelde, e continuaremos a defender nossa essência e nossos princípios”, disse.

Em outro trecho do discurso, Colina Rodríguez apresentou Cuba como um país de solidariedade internacional. “Em meio a essa tempestade, Cuba, uma ilha de resistência, continua a ser um farol moral, sem exércitos para invadir, sem algoritmos digitais para mentir. Este país enviou médicos onde outros enviam bombas, ofereceu alfabetização onde outros impõem o analfabetismo funcional e compartilhou o pouco que tem onde outros acumulam riquezas. Nossa maior arma não é um míssil, mas a certeza de que outro mundo, melhor, é possível”, afirmou.

Ao denunciar o bloqueio dos Estados Unidos, o sindicalista disse que as medidas “atingiram níveis sem precedentes nos últimos anos” e classificou seus efeitos como “uma punição coletiva implacável”. Para ele, a participação no 1º de maio demonstrou que o país segue mobilizado apesar das dificuldades econômicas e energéticas.

As comemorações também ocorreram em várias províncias cubanas. Em Santiago de Cuba, a Praça da Revolução Mayor General Antonio Maceo Grajales recebeu uma grande concentração popular. Armando, profissional de saúde que chegou ao local com a esposa Rosalía e o filho Robert, afirmou que participou da marcha “porque só unidos podemos defender a Pátria, que é o lar desta grande família cubana”.

Na mesma província, a profissional Keila Velázquez Sánchez destacou o compromisso dos trabalhadores da saúde. “Porque minha linda Cuba deve ser amada, e sempre se pode contar com o povo de Santiago para torná-la invencível; que os inimigos não se enganem, somos um povo de paz que sabe se defender”, declarou.

Em Cienfuegos, mais de 200 mil pessoas participaram do desfile, segundo o Granma. A manifestação teve como eixo a defesa da paz e a disposição de enfrentar os efeitos do bloqueio. Já em Holguín, a concentração reuniu mais de 200 mil participantes na Praça da Revolução Mayor General Calixto García, em uma marcha apresentada como resposta às previsões de baixa adesão popular.

Pinar del Río também registrou uma grande mobilização, com dezenas de milhares de pessoas ocupando a principal rua da cidade. A cobertura relacionou o ato às palavras de Fidel Castro em janeiro de 1959, quando o líder cubano afirmou: “Se queres saber como pensa o povo, vem comigo a Pinar del Río!”

Em Sancti Spíritus, a Praça Serafín Sánchez Valdivia foi tomada por trabalhadores em uma manifestação que destacou conquistas sociais, avanços produtivos e a necessidade de enfrentar o agravamento do bloqueio energético. Em Bayamo, na província de Granma, o ato na Plaza de la Patria teve forte apelo simbólico, com referências a José Martí, Fidel Castro e à defesa do projeto socialista cubano.

O líder sindical Karel Leyva Trinchet afirmou ao Granma que o desafio das novas gerações é preservar o legado revolucionário e impulsionar áreas estratégicas, como a produção de alimentos. “Fidel não repousa no mármore; ele vive na vontade de cada trabalhador que não abandona nem compromete os seus princípios”, declarou.

Em Matanzas, a cerimônia foi presidida pelo primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz. Durante o ato, Alejandro Ventosa Águila, Herói do Trabalho e trabalhador da Usina Termoelétrica Antonio Guiteras, afirmou: “Somos um povo amante da paz, mas que o inimigo não se engane.” Em seguida, acrescentou: “Permanecemos firmes e unidos, determinados a defender nossa pátria.”

Ao final do desfile, Marrero Cruz comentou os impactos do bloqueio energético e afirmou que um país sem combustível enfrenta enormes dificuldades, mas não impossibilidades. “Que povo!”, exclamou. “Não vamos desistir, vamos continuar lutando”, declarou.

Em Las Tunas, as ruas foram tomadas pelas cores da bandeira nacional em atos de apoio à Revolução. Já em Guantánamo, a cobertura descreveu uma marcha de quase três horas. Um morador, carregando a filha nos ombros, disse: “Hoje marcho por ela e por todas as crianças cubanas”, acrescentando que marchava “para que nada nem ninguém perturbe sua felicidade; pela paz do meu povo.”

Ciego de Ávila reuniu mais de 91 mil pessoas na Praça da Revolução Máximo Gómez Báez. A secretária-geral da Federação dos Trabalhadores Cubanos na província, Niurka Ferrer Castillo, informou que 91% dos moradores haviam aderido à campanha “Minha Assinatura pela Pátria”. “Somos um povo de grandes homens e mulheres que exaltam a pátria, de feitos e dedicação, e de amor ao trabalho”, afirmou.

Em Camagüey, mais de 250 mil pessoas participaram da marcha na Praça da Revolução Mayor General Ignacio Agramonte, enquanto a província registrou 320 mil participantes no total. Jenry Puentes Rodríguez, secretário-geral da CTC em Camagüey, afirmou: “A pátria se defende em cada sulco, em cada fábrica, em cada sala de aula. Este Dia do Trabalho é um dia de reafirmação, de unidade, de luta e de vitórias.”

A mobilização nacional do 1º de maio foi uma jornada de reafirmação política, sindical e popular. Em meio às dificuldades econômicas, ao bloqueio e às pressões externas, o governo cubano e as organizações de trabalhadores buscaram projetar uma mensagem de unidade, resistência e defesa da soberania nacional.

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