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Em encontro com Lula, Kast fala em relação de Estado entre Chile e Brasil apesar de divergências ideológicas

Presidente eleito chileno afirma que cooperação bilateral deve superar disputas políticas e destaca segurança, integração regional e prosperidade comum

Kast e Lula (Foto: Divulgação/Palácio do Planalto )

247 - O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, afirmou nesta terça-feira (27) que a relação entre Chile e Brasil deve ser conduzida como uma política de Estado, acima de diferenças políticas e ideológicas. A declaração foi feita após uma reunião de cerca de uma hora e meia com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro encontro entre os dois desde a eleição chilena, realizada em dezembro.

As informações foram publicadas pelo Valor Econômico, que acompanhou os desdobramentos da reunião bilateral. Kast, líder da direita chilena e com posse marcada para março, destacou que o diálogo com o Brasil está orientado por uma agenda de cooperação e prosperidade compartilhada, independentemente das posições ideológicas de cada governo.

Em uma breve declaração à imprensa, o presidente eleito afirmou que sua postura institucional difere do período de campanha eleitoral. “Trata de uma relação entre Estados, que transcende quaisquer diferenças ideológicas que possam existir. Candidatar-se a um cargo político é diferente de representar um país”, disse Kast.

O chileno reforçou a importância simbólica e prática do encontro ao mencionar os gestos entre os dois países. “Cada pessoa busca o melhor para seus compatriotas, e é por isso que hoje exibo com orgulho a bandeira brasileira, pois também posso entregar a bandeira chilena ao presidente Lula, refletindo o que nos interessa: que ambas as nações prosperem, que a América Latina prospere, e que isso transcenda quaisquer diferenças políticas ou ideológicas que possamos ter, porque o que nos motiva a todos é melhorar a qualidade de vida de nossos compatriotas”, completou.

Durante a conversa, Kast afirmou que tratou com Lula de temas relacionados à segurança pública, com ênfase no combate ao crime organizado. “Todas as nossas nações enfrentam a ameaça do crime organizado, e isso é algo que precisamos enfrentar juntos. O Chile não ganha nada combatendo o crime organizado se em outras nações há facilidade para se cometer crimes”, afirmou, ao defender uma atuação coordenada entre os países da região.

Além da segurança, os dois líderes discutiram projetos de integração regional, como corredores de infraestrutura, e iniciativas voltadas ao fortalecimento dos setores de turismo e tecnologia. Segundo Kast, o encontro com Lula expressa o modelo de governança que pretende adotar à frente do governo chileno. “Queremos promover um estilo de governança baseado na unidade. Assim como fortalecemos a unidade nacional em questões legislativas e por meio de um gabinete amplo, também buscamos a unidade latino-americana na perspectiva da qualidade de vida das pessoas”, declarou.

Lula não falou à imprensa após a reunião. De acordo com apuração do Valor Econômico, Kast convidou o presidente brasileiro para participar de sua cerimônia de posse, prevista para março. O Itamaraty também não divulgou nota oficial sobre o encontro até o momento.

A reunião ocorreu na Cidade do Panamá, onde Lula participa do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, evento promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e conhecido como o “Davos da América Latina”. A viagem integra a estratégia do governo brasileiro de ampliar mercados e fortalecer a integração regional, em um contexto internacional marcado pela escalada do unilateralismo e da guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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