Em Haia, Delcy Rodríguez defende direitos da Venezuela sobre o Essequibo
Delcy Rodríguez afirmou que o Acordo de Genebra de 1966 é o único caminho válido para resolver a controvérsia territorial
247 - A Venezuela defendeu seus direitos sobre o Essequibo em Haia e sustentou que o Acordo de Genebra de 1966 é o único caminho válido para resolver a controvérsia territorial com a Guiana, informa a Telesur.
Em pronunciamento perante a Corte Internacional de Justiça, na segunda-feira (11), a presidenta em exercício da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Caracas não abrirá mão de sua reivindicação histórica sobre a Guiana Essequiba nem aceitará a tentativa de substituir os mecanismos diplomáticos previstos entre as partes.
“A Venezuela não renunciará à sua história nem aos seus direitos legítimos, direitos expressamente reconhecidos e preservados no Acordo de Genebra, simplesmente porque a Guiana agora busca, unilateral e oportunisticamente, redefinir a controvérsia”, declarou Rodríguez.
Defesa do Acordo de Genebra
Delcy Rodríguez argumentou que o Acordo de Genebra de 1966 “sepulta os argumentos da Guiana” e constitui uma lei entre as partes, que não pode ser ignorada, reformada unilateralmente ou substituída por outro mecanismo. Para Caracas, o documento segue sendo a base jurídica e diplomática para qualquer solução sobre a região em disputa.
A presidenta em exercício afirmou que sua presença em Haia teve o objetivo de levar “a voz de um povo profundamente apaixonado por justiça, paz e direito internacional”. Ela também ressaltou que a participação venezuelana não representa um gesto de rebeldia nem de desrespeito à Corte Internacional de Justiça.
Segundo Rodríguez, a Venezuela não reconhece a jurisdição da CIJ para decidir sobre o que considera uma questão diretamente ligada à sua integridade territorial. Ela sustentou que o tribunal não foi criado para estimular disputas entre países, mas para contribuir com a paz e a legalidade internacional.
Acusações contra a Guiana
A representante venezuelana afirmou que Caracas compareceu ao tribunal para preservar a legalidade diante das ações promovidas por Georgetown. Segundo ela, a Guiana busca se afastar de obrigações diplomáticas assumidas no marco do Acordo de Genebra, especialmente após a descoberta de jazidas de petróleo na região em 2015.
Delcy Rodríguez disse que a estratégia de judicialização adotada pela Guiana coincide com interesses de empresas transnacionais de energia que pretendem controlar de forma unilateral uma área de grande valor estratégico. Na avaliação apresentada por Caracas, a transferência da disputa territorial para a CIJ rompeu o entendimento mútuo previsto entre os dois países.
A presidenta em exercício também relacionou sua intervenção ao referendo consultivo realizado em 3 de dezembro, no qual o povo venezuelano teria ordenado a defesa do território por todos os meios pacíficos. Segundo ela, a ida ao tribunal buscou reafirmar a soberania nacional e apresentar ao mundo a posição venezuelana.
Documentos históricos e memória nacional
Durante sua exposição, Delcy Rodríguez apresentou uma coleção documental de mais de 3 mil páginas que, segundo a defesa venezuelana, confirma que a Guiana Essequiba pertence à Venezuela desde a criação da Capitania Geral, em 1777.
“Para nós, a Guiana Essequiba não se reduz a meros interesses econômicos e mercantis; ela faz parte de nossa moralidade histórica inalienável”, afirmou.
Delcy também criticou o bloqueio britânico ao acesso da Venezuela a documentos considerados relevantes para a controvérsia. Segundo ela, enquanto Caracas foi impedida de consultar parte do acervo sob custódia britânica, a Guiana teria tido acesso a esses mesmos registros.
A dirigente venezuelana classificou como “extravagantes” as demandas atribuídas à Guiana para apagar referências históricas da Venezuela sobre o território. “Eles estão pedindo para ordenar a destruição de mapas, para apagar a memória de um povo a fim de anular seu futuro”, declarou.
Reino Unido e origem da controvérsia
Delcy Rodríguez afirmou que o Reino Unido nunca teve posse legítima do território e que, por isso, a Guiana também não poderia reivindicá-lo com base nessa sucessão. Ela lembrou ainda que a Grã-Bretanha reconheceu a Grã-Colômbia em 1825, mas que hoje haveria uma tentativa de validar o que Caracas descreve como uma fraude judicial.
A defesa venezuelana também destacou a suposta manipulação de documentos pelo Reino Unido e insistiu na premissa de que a solução da controvérsia não deve produzir vencedores ou perdedores, mas benefícios mútuos para os povos da Venezuela e da Guiana.
Segundo a presidenta interina, o objetivo de Caracas é retomar o diálogo direto dentro do marco do Acordo de Genebra. Ela afirmou que o tratado demonstra a existência de mecanismos diplomáticos para resolver a disputa territorial e deve ser respeitado como base da negociação.
Diálogo bilateral e solução pacífica
A presidenta em exercício disse que a Venezuela foi o primeiro país a apoiar a independência da Guiana e lembrou iniciativas de cooperação entre os dois países, incluindo projetos hidrelétricos discutidos com autoridades guianenses. Para ela, esses antecedentes demonstram que uma solução prática, pacífica e satisfatória é possível.
“Este Tribunal não foi criado para substituir a vontade do Estado, mas para agir dentro dos limites definidos por essa vontade”, afirmou Rodríguez.
Ao concluir sua intervenção, a representante venezuelana defendeu uma saída em que não haja vencedores nem perdedores, mas o triunfo da paz e da justiça sobre o que Caracas define como ambições imperialistas.
A posição venezuelana sustenta que, embora corporações transnacionais vejam o Essequibo como oportunidade de interferência e enriquecimento, apenas um acordo prático e bilateral permitirá que Venezuela e Guiana tratem das riquezas da região de forma soberana. Para Caracas, os dois países estão historicamente destinados a se entender, coexistir e buscar soluções que garantam desenvolvimento pacífico para as próximas gerações.



