Em Honduras, a "organização criminosa" do Partido Nacional volta ao poder em meio a protestos
Novo governo de Nasry Asfura já é alvo de protestos nas ruas, após eleição apontada como fraudulenta
247 - Honduras amanheceu nesta quarta-feira (28) em meio a protestos e manifestações de rejeição popular enquanto se consolidava a posse de um novo governo amplamente questionado por diversos setores da sociedade. As mobilizações ocorreram em resposta ao que organizações sociais classificam como um processo eleitoral marcado por ilegalidades e ausência de legitimidade.
No início do dia, integrantes da Frente Nacional de Resistência Popular e de organizações camponesas ocuparam as ruas de Comayagüela, no Distrito Central do país. O ato reuniu centenas de manifestantes em repúdio ao governo de fato que assumiu o poder em 27 de janeiro, sob denúncias de imposição e fraude eleitoral.
“O que estamos rejeitando é a imposição de um governo que não foi eleito pelo povo. Um governo que é produto de um fraude eleitoral escandalosa, no qual os votos para presidente e para as prefeituras não chegaram a ser totalmente contabilizados”, afirmou Tomás Andino, representante da Frente Nacional de Resistência Popular.
A representante camponesa Alba Ochoa também criticou duramente o novo governo. “Chamamos à luta contra um governo instalado pelo imperialismo ianque, pela miserável oligarquia hondurenha e por uma minoria dos eleitores da nossa nação”, declarou.
Enquanto os protestos tomavam as ruas, no Congresso Nacional ocorria, a portas fechadas, a cerimônia de posse de Nasry Asfura. O ato foi realizado sem a presença de público, convidados internacionais ou mesmo apoiadores do Partido Nacional. A posse aconteceu apesar de Asfura enfrentar um processo judicial por corrupção, relacionado ao desvio de mais de um milhão de dólares durante sua gestão como prefeito do Distrito Central.
Em seu discurso, Asfura destacou a descentralização como eixo de sua administração. “A descentralização é importante para a governança. A descentralização e o trabalho com os 298 prefeitos, sem distinção de cor política”, afirmou o presidente imposto de Honduras.
A agora ex-presidenta Xiomara Castro desejou êxito ao próximo governo liderado por Asfura e afirmou esperar a continuidade de projetos que beneficiaram setores historicamente excluídos. “Quero desejar sorte a Tito Asfura. Esperamos que Honduras continue com esse projeto de crescimento para o país. Isso é o que desejamos todos os hondurenhos, que seja o melhor para Honduras”, disse.
Durante as manifestações, jovens ativistas afirmaram estar cansados de imposições políticas e denunciaram o que chamam de uma nova versão da Doutrina Monroe. Segundo eles, o controle político do país estaria vindo do exterior, e não da vontade popular.
“Estamos cansadas e cansados de que nos imponham como Honduras deve viver. Estamos fartos de políticas de medo, terror, militarização, exclusão, racismo e patriarcado”, declarou Bertha Zúñiga, coordenadora geral do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh).
Na mesma linha, Meicke Bonilla, representante da Frente Nacional de Resistência Popular, alertou para o avanço de interesses externos na região. “Infelizmente, vem aí uma Doutrina Monroe 2.0, em que vemos o presidente dos Estados Unidos posicionando, geopoliticamente, seus seguidores na América Latina para facilitar o caminho do extrativismo”, afirmou.
O novo governo inicia seu mandato em meio a fortes questionamentos e rejeição popular. Organizações sociais afirmaram que continuarão mobilizadas e presentes nas ruas, rejeitando uma administração que, segundo amplos setores da população, é considerada ilegítima. Saiba mais detalhes na reportagem do jornalista da teleSUR Karim Duarte:


