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Embaixador cubano diz que EUA criam pretextos para atacar Cuba

Ernesto Soberón Guzmán afirma que EUA criam pretextos para ação militar e dificultam diálogo diplomático, segundo entrevista ao New York Times

Embaixador de Cuba na ONU, Ernesto Soberón Guzmán (Foto: Reprodução )
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247 - Cuba está disposta a negociar com os Estados Unidos em temas econômicos, políticos e de segurança, mas não acredita que o governo do presidente Donald Trump esteja conduzindo as conversas diplomáticas “de boa fé”. A declaração foi feita pelo embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, em entrevista concedida ao jornal The New York Times, publicada nesta quarta-feira (21).

A reportagem original foi publicada pelo jornal O Globo, com base na entrevista do diplomata cubano ao periódico americano. Segundo o NYT, esta foi a primeira entrevista oficial concedida por um integrante do governo cubano em exercício ao jornal em décadas.

Durante a conversa, Guzmán acusou Washington de elevar a tensão com Havana e de criar justificativas para uma possível ofensiva contra a ilha. “Criar diferentes pretextos para uma agressão militar contra Cuba, que é o que eles estão fazendo, não ajuda”, afirmou o embaixador. Ele também criticou o discurso adotado por integrantes do governo americano: “A retórica belicista não ajuda”.

Cuba diz que está disposta a discutir qualquer tema

O representante cubano afirmou que Havana não impõe limites às negociações com os Estados Unidos, desde que as tratativas ocorram em condições de igualdade. “Cuba está disposta a conversar sobre tudo com os EUA. Não há nenhum assunto proibido em nossas conversas, com base na reciprocidade e na igualdade”, declarou.

Ainda segundo o diplomata, as frequentes ameaças e declarações vindas de autoridades americanas dificultam qualquer tentativa de avanço nas relações bilaterais. “Obviamente, não ajuda um clima de diálogo e confiança que dia sim, dia não, haja declarações como: ‘Estamos prontos para tomar Cuba’”, disse.

De acordo com Guzmán, a decisão de conceder entrevista à imprensa dos EUA teve como objetivo demonstrar ao público americano que Cuba deseja manter relações pacíficas e cooperativas com Washington, apesar do endurecimento da política da Casa Branca contra a ilha.

Acusação contra Raúl Castro amplia tensão entre Havana e Washington

As declarações do embaixador ocorreram no mesmo dia em que promotores americanos formalizaram acusações contra Raúl Castro, ex-presidente cubano e uma das principais figuras políticas do país. Segundo as autoridades dos EUA, ele teria ordenado o abatimento de dois aviões civis em 1996, episódio que resultou na morte de quatro pessoas, entre elas três cidadãos americanos.

A medida foi interpretada como mais um passo na campanha de pressão do governo Trump sobre Cuba. Nos últimos meses, Washington tem intensificado cobranças por mudanças políticas e econômicas no país caribenho.

Também nesta quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, divulgou um vídeo direcionado ao povo cubano, no qual responsabilizou o governo da ilha pela crise econômica e energética enfrentada pela população. “A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam o seu país desviaram bilhões de dólares”, afirmou Rubio em espanhol.

Cuba rebate críticas sobre crise econômica e energética

Em resposta às declarações do secretário de Estado americano, Guzmán afirmou que os comentários de Rubio eram “um insulto à inteligência humana”. O diplomata responsabilizou as sanções dos Estados Unidos pela deterioração da economia cubana e pela escassez de combustível.

Segundo ele, Washington interrompeu o fluxo de petróleo venezuelano que abastecia a ilha e pressionou outros países para suspenderem exportações de combustível para Cuba. “Quando você continua tirando e tirando sem reposição, uma hora acaba”, afirmou.

O embaixador também declarou que Cuba já esgotou suas reservas de combustível e que atualmente depende de produção interna de petróleo e de fontes renováveis de energia, especialmente painéis solares.

O governo Trump chegou a oferecer US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos para amenizar a crise energética cubana, mas condicionou a distribuição da ajuda à atuação da Igreja Católica e de organizações consideradas confiáveis pelos americanos, excluindo o governo cubano da operação.

Havana vê ajuda americana como “insulto”

Embora tenha afirmado que Cuba pretende aceitar a ajuda humanitária, Guzmán classificou a proposta americana como um “insulto”. Para o diplomata, o embargo econômico imposto pelos EUA segue sendo um dos principais responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pela população cubana.

Ele reconheceu, porém, que a estrutura econômica estatal e planificada da ilha também influencia o cenário de pobreza e escassez. Ainda assim, reiterou que Havana vê espaço para cooperação com Washington em áreas como migração, agricultura, turismo, produção de medicamentos e combate ao narcotráfico.

Questionado sobre possíveis mudanças no sistema político cubano, Guzmán evitou detalhar eventuais reformas. O país mantém um regime de partido único e restrições à imprensa independente.

O embaixador também rejeitou críticas americanas sobre democracia. “É essa a democracia que eles querem para Cuba? Não nos interessa”, afirmou, ao mencionar problemas do sistema eleitoral dos Estados Unidos, como o colégio eleitoral, o redesenho de distritos eleitorais e a influência de grandes doadores nas campanhas políticas.

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