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Evo Morales diz que Bolívia está em rebelião contra neoliberalismo

Ex-presidente afirma que protestos defendem trabalhadores, democracia, Constituição e recursos naturais

Evo Morales (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)
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247 - O ex-presidente boliviano Evo Morales afirmou que a Bolívia vive uma rebelião contra o neoliberalismo e contra um Estado neocolonial, em meio a protestos que, segundo ele, defendem os trabalhadores, a democracia, a Constituição e os recursos naturais. As informações são da Telesur.

Em entrevista concedida na região produtora de coca de Chapare, seu reduto político no centro da Bolívia, Morales disse à Telesur que as manifestações que atingem o país no último mês expressam a reação de diferentes setores sociais contra as medidas adotadas pelo governo de direita de Rodrigo Paz desde sua chegada ao poder.

As mobilizações reúnem mineiros, transportadores, professores, agricultores, povos indígenas e outros segmentos. De acordo com Morales, os atos têm como eixo a defesa da economia das famílias e dos trabalhadores, além da preservação da democracia, da Constituição e dos recursos naturais do país.

O presidente Rodrigo Paz acusa Morales de estar por trás dos protestos, que pedem sua renúncia em meio à pior crise econômica enfrentada pela Bolívia em quatro décadas. O ex-presidente rejeita a acusação e sustenta que o movimento é resultado da situação social e econômica vivida pela população.

"É um governo completamente subserviente (aos Estados Unidos). Percebo que chegou a hora de definir quem está no comando: o império ou o povo", afirmou Morales.

O ex-presidente também disse estar convencido de que a mobilização tem um caráter político mais amplo contra o projeto econômico defendido pelo atual governo.

"Esta rebelião, estou absolutamente convencido, é contra o modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial", declarou.

Rodrigo Paz encerrou um ciclo de duas décadas de governos de esquerda na Bolívia, período marcado pelas administrações de Evo Morales e Luis Arce. Segundo o texto original, Paz passou a ser visto como um novo aliado latino-americano dos Estados Unidos, que manifestaram apoio ao seu governo e alertaram para uma suposta tentativa de golpe de Estado no país.

Protestos e bloqueios aumentam pressão sobre o governo

A tensão política se intensificou com bloqueios de estradas, especialmente em Cochabamba, onde apoiadores de Morales participam das mobilizações. As marchas realizadas em La Paz, capital administrativa da Bolívia, também contribuíram para a escassez de alimentos, medicamentos e combustível.

Morales, de 66 anos, está protegido por milhares de agricultores que impedem a execução de um mandado de prisão contra ele em um caso de suposto tráfico de crianças. O ex-presidente nega a acusação e afirma que o processo o impede de participar diretamente das manifestações.

"Eu gostaria de participar das manifestações, mas este caso de tráfico me impede", disse o líder dos produtores de coca.

Morales também denunciou um plano dos Estados Unidos, com apoio do governo de Paz, para realizar uma operação militar com participação da DEA e do Comando Sul dos EUA com o objetivo de prendê-lo. O ex-presidente negou ter instigado os protestos.

"A fome está impulsionando essa mobilização", afirmou Morales, ao relacionar a crise econômica à expansão dos atos no país.

Congresso revoga lei sobre estado de emergência

Na terça-feira (27), o Congresso boliviano revogou uma lei que permitiria a Rodrigo Paz declarar estado de emergência e controlar manifestações com apoio das Forças Armadas sem aval prévio do Parlamento. Morales alertou que, caso uma medida desse tipo avançasse, a população dificilmente recuaria.

"Duvido que o povo" recuaria, afirmou o ex-presidente

Impedido de disputar as eleições presidenciais de 2025 por decisão do Tribunal Constitucional, Morales defende que o atual governo convoque eleições em até 90 dias. Ele afirmou, no entanto, não ter intenção de concorrer novamente.

"Agora não é a minha hora. Mas tenho a obrigação de apoiar o movimento político que lidero", concluiu Morales.

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