Greve na Argentina cancela voos e afeta operações no Aeroporto de Guarulhos
Entre as companhias impactadas estão Aerolíneas Argentinas, Latam, Delta, Qatar Airways, Ita Airways, Air France, Gol, KLM e Ethiopian Airlines
247 - A greve geral convocada na Argentina nesta quinta-feira (19) provocou o cancelamento de mais de 20 voos internacionais com origem ou destino ao Brasil, afetando diretamente passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. A paralisação ocorre em meio aos protestos contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, ao menos 21 voos haviam sido cancelados até as primeiras horas da manhã, envolvendo operações de chegada e partida ligando o Brasil a cidades argentinas como Buenos Aires e Mendoza.
Entre as companhias impactadas estão Aerolíneas Argentinas, Latam, Delta, Qatar Airways, Ita Airways, Air France, Gol, KLM e Ethiopian Airlines, evidenciando o alcance internacional da paralisação. Passageiros enfrentaram alterações de itinerários, atrasos e necessidade de remarcação de viagens, especialmente em rotas corporativas e turísticas entre os dois países.
A mobilização foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical argentina, que lidera a quarta greve nacional desde o início do atual governo, em 2023. O movimento pressiona o Congresso argentino às vésperas da votação final do projeto de reforma trabalhista.
A paralisação atingiu amplamente os sistemas de transporte urbano na Argentina. Serviços de ônibus, metrô e trens aderiram ao protesto em diversas cidades, com impacto mais intenso na capital argentina, onde sindicatos buscam ampliar a pressão política sobre parlamentares.
Em comunicado oficial, a central sindical criticou duramente a proposta governamental e afirmou que a reforma representa retrocesso social. “[A reforma trabalhista de Milei] aprofundará a precarização do trabalho e degradará a qualidade de vida, eliminando direitos individuais e coletivos garantidos pela Constituição Nacional, no contexto de uma gigantesca transferência de recursos dos setores mais vulneráveis para os mais concentrados da economia”.
As entidades sindicais também indicaram que a estratégia de mobilização poderá se intensificar caso o projeto avance no Legislativo. Inicialmente planejada como uma paralisação de 24 horas, a greve pode evoluir para protestos mais prolongados ou até por tempo indeterminado, dependendo do desfecho político.
Especialistas apontam que o impacto internacional da greve demonstra o grau de integração econômica e logística entre Brasil e Argentina. A suspensão de voos afeta não apenas passageiros, mas também cadeias comerciais, transporte de cargas e conexões aéreas globais que utilizam Buenos Aires como ponto estratégico na América do Sul.
Até o momento, companhias aéreas recomendam que passageiros verifiquem diretamente o status de seus voos e procurem canais oficiais para remarcações ou reembolsos, enquanto autoridades aeroportuárias seguem monitorando a situação e aguardam normalização das operações após o fim da paralisação.

