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Milei promete repressão a protestos contra reforma trabalhista e faz alerta a imprensa

Ministério da Segurança anuncia “zona exclusiva” para jornalistas e promete ação das forças policiais durante manifestações contra reforma trabalhista

O presidente da Argentina, Javier Milei, em Buenos Aires - 26/10/2025 (Foto: REUTERS/Cristina Sille)

247 - O governo do presidente argentino Javier Milei anunciou nesta terça-feira (17) um conjunto de medidas de segurança voltadas especificamente à atuação da imprensa durante os protestos previstos para esta semana contra a reforma trabalhista aprovada pelo Senado. A iniciativa inclui orientações incomuns e um alerta oficial sobre possíveis situações de risco durante as manifestações.

A decisão do governo ocorreu após a principal central sindical do país convocar uma greve geral para o dia em que a Câmara dos Deputados iniciar o debate da proposta. A previsão é de que a votação aconteça nesta quinta-feira (18), analisando o texto aprovado pelos senadores na semana anterior.

No comunicado oficial, o Ministério da Segurança afirmou que as recomendações têm o objetivo de evitar que jornalistas se exponham em meio a possíveis confrontos. “Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação”, declarou a pasta.

O ministério também reforçou que haverá repressão em caso de distúrbios. “Diante de atos de violência, nossas forças agirão”, disse o comunicado.

Além das advertências, o governo informou que os veículos de comunicação terão acesso a uma “zona exclusiva”, localizada em ruas laterais da praça em frente ao Parlamento argentino, delimitando o espaço onde repórteres e cinegrafistas poderão atuar durante as manifestações.

O endurecimento das medidas ocorre poucos dias após protestos registrados na última quarta-feira (11), quando milhares de pessoas se reuniram nas imediações do Congresso durante o debate do projeto no Senado. Na ocasião, os atos terminaram em confrontos com a polícia e resultaram em cerca de 30 pessoas detidas.

A reforma trabalhista aprovada pelos senadores prevê mudanças profundas na legislação do trabalho na Argentina. Entre os principais pontos estão a redução de indenizações, a permissão para pagamentos em bens e serviços, a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas e a limitação do direito de greve.

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