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Argentina inicia greve geral contra reforma trabalhista de Milei

Paralisação de 24 horas pressiona Câmara que debate mudanças trabalhistas já aprovadas pelo Senado

Presidente da Argentina, Javier Milei 07/07/2024 REUTERS/Anderson Coelho

247 - A Argentina vive nesta quinta-feira (19) uma nova greve geral contra o governo do presidente Javier Milei, em meio à votação de uma controversa reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. A paralisação, com duração de 24 horas, começou à 0h01 no horário local e marca o quarto movimento nacional de protesto desde o início da atual gestão.

A mobilização foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical do país, que classifica as mudanças propostas pelo Executivo como “regressivas”. O projeto já recebeu aval do Senado na semana passada e agora enfrenta análise dos deputados.

A proposta em discussão amplia a jornada de trabalho para até 12 horas, reduz valores de indenizações, autoriza a possibilidade de pagamento em bens ou serviços e impõe restrições ao direito de greve, entre outros pontos. O governo argumenta que as alterações podem estimular a formalização do mercado de trabalho — atualmente com mais de 40% de informalidade — e impulsionar a geração de empregos por meio da redução da carga tributária para empregadores.

Para garantir a continuidade da tramitação na Câmara, o partido governista retirou do texto um dispositivo considerado polêmico, que previa a redução do salário para entre 50% e 75% durante períodos de licença médica.

A greve ocorre em um cenário econômico delicado. De acordo com informações sindicais, mais de 21 mil empresas encerraram atividades nos últimos dois anos, com a eliminação de cerca de 300 mil postos de trabalho. Um dos casos recentes mais emblemáticos é o da Fate, principal fabricante de pneus do país, que anunciou o fechamento das operações e a demissão de mais de 900 trabalhadores, alegando perda de competitividade diante da abertura das importações.

A expectativa das centrais é de forte adesão ao movimento. “Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, afirmou Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da CGT. Ele também declarou que a greve geral será “contundente”.

Diversas categorias estratégicas confirmaram participação. Sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao protesto, enquanto a Aerolíneas Argentinas informou o cancelamento de 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros. Trabalhadores portuários também cruzaram os braços, interrompendo atividades em terminais relevantes como o de Rosário, um dos principais polos de exportação agrícola do mundo.

Embora a convocação oficial da CGT não inclua mobilizações de rua, outras entidades sindicais e agrupações políticas anunciaram marchas até a Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires, onde a sessão legislativa está prevista para começar às 14h.

Na semana anterior, quando o Senado discutiu a reforma, milhares de manifestantes se concentraram na mesma região. Os protestos terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 pessoas foram detidas.

Na terça-feira (17), o governo divulgou um comunicado alertando sobre o “risco” na cobertura jornalística das manifestações e estabeleceu uma “zona exclusiva” em uma rua lateral da praça para instalação dos veículos de imprensa. O Ministério da Segurança declarou que, “Diante de fatos de violência, nossas forças atuarão”, além de recomendar aos jornalistas “evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o pessoal das forças de segurança”.

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