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Guarda de fronteira marítima de Cuba reage a ataque armado de lancha proveniente da Flórida

Ministério do Interior relata confronto no litoral norte e informa sobre mortos e feridos após embarcação da Flórida abrir fogo contra agentes cubanos

Lancha proveniente da Fl[orida provoca confronto em águas cubanas (Foto: Cubadebate)

247 - Um confronto armado foi registrado na manhã desta quarta-feira (25) no litoral norte de Cuba, na província de Villa Clara, após uma embarcação com matrícula da Flórida abrir fogo contra uma unidade da Guarda de Fronteira do país. O incidente ocorreu nas proximidades do canal El Pino, em Cayo Falcones, no município de Corralillo.

As informações foram divulgadas pela agência Prensa Latina, com base em comunicado oficial do Ministério do Interior de Cuba, que detalhou as circunstâncias da ocorrência e as medidas adotadas pelas autoridades nacionais.

Segundo o ministério, a lancha identificada com o registro FL7726SH foi detectada a cerca de uma milha náutica a nordeste do canal. Uma unidade da Guarda de Fronteira, composta por cinco agentes, aproximou-se da embarcação com o objetivo de proceder à identificação. De acordo com o comunicado, nesse momento os ocupantes do barco abriram fogo contra os militares cubanos.

Ainda conforme a nota oficial, o comandante da embarcação cubana foi ferido em decorrência do ataque. As forças nacionais reagiram “de acordo com os protocolos de legítima defesa”, informou o ministério.

Quatro dos envolvidos no ataque morreram e outros seis ficaram feridos. Todos os feridos foram socorridos e encaminhados para instituições de saúde em Cuba, onde recebem atendimento médico.

O Ministério do Interior reafirmou que a proteção das águas territoriais é um elemento central da segurança nacional e reiterou a disposição do Estado cubano de defender sua soberania diante de qualquer agressão. As autoridades competentes seguem com as investigações para esclarecer integralmente os fatos relacionados ao episódio ocorrido em Villa Clara

O processo de investigação continua até que os fatos sejam completamente esclarecidos.

As autoridades cubanas divulgaram novas informações sobre a tentativa de infiltração armada frustrada na província de Villa Clara, após um ataque contra uma unidade terrestre das Tropas da Guarda de Fronteira do Ministério do Interior na zona nordeste do canal El Pino, no ilhéu Falcones, município de Corralillo. A ação envolveu a interceptação de uma embarcação procedente da Flórida, nos Estados Unidos.

Durante a operação, foram apreendidos fuzis de assalto, pistolas, dispositivos explosivos artesanais do tipo coquetel Molotov, coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes camuflados. O material, segundo as autoridades, reforça a linha investigativa de que o grupo tinha objetivos violentos em território cubano.

Identificação dos envolvidos

Com base nos interrogatórios iniciais, foram identificados entre os detidos Amijail Sánchez González, Leordan Enrique Cruz Gómez, Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodríguez Castelló, Cristian Ernesto Acosta Guevara e Roberto Azcorra Consuegra. Entre os mortos na ação, foi identificado Michel Ortega Casanova. As autoridades informaram que trabalham para confirmar a identidade de outros três envolvidos.

Ainda conforme o Ministério do Interior, todos os participantes são cidadãos cubanos residentes nos Estados Unidos. A maioria possui antecedentes relacionados a atividades criminosas e violentas. Amijail Sánchez González e Leordan Enrique Cruz Gómez constam na Lista Nacional de pessoas e entidades investigadas nos termos da Resolução 1373 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do direito internacional e da legislação cubana. Segundo o comunicado, ambos são procurados pelas autoridades por suposto envolvimento na promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou execução de atos terroristas em Cuba ou em outros países.

As autoridades também confirmaram a prisão, em território cubano, de Duniel Hernández Santos, apontado como responsável por garantir a recepção do grupo armado. Segundo o informe oficial, ele foi enviado dos Estados Unidos e já confessou sua participação nos fatos.

Desinformação

Uma análise jurídica e política divulgada pelo blog Razones de Cuba rebate desinformação após confronto entre guarda de fronteira e lancha vinda da Flórida em Villa Clara

Em meio à repercussão do caso, o blog Razones de Cuba publicou uma análise intitulada “Duas perguntas-chave sobre o ataque em Villa Clara”, na qual questiona narrativas que circulam em plataformas digitais críticas ao governo cubano. Segundo o texto, algumas dessas páginas tentam apresentar o episódio como um suposto “diversionismo”.

O blog estrutura sua argumentação a partir de duas perguntas centrais. A primeira indaga: “Por que uma lancha armada viola águas territoriais cubanas?” Para responder, o texto recorre à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CONVEMAR), da qual Cuba é signatária. A convenção estabelece que as águas territoriais se estendem até 12 milhas náuticas a partir da linha de base costeira, espaço no qual o Estado exerce soberania plena.

O artigo 19 da CONVEMAR, conforme destaca o blog, define que a passagem de uma embarcação estrangeira só é considerada “inocente” quando não for “prejudicial para a paz, a boa ordem ou a segurança” do Estado costeiro. Abrir fogo contra uma patrulha fronteiriça, sustenta a análise, não se enquadra nesse conceito. O texto afirma: “A lancha com matrícula FL7726SH não violou as águas territoriais por acidente. Violou porque alguém decidiu fazê-lo. E quando os guardas de fronteira cumpriram seu dever, foram recebidos a tiros”.

A publicação também ressalta que a legislação cubana autoriza as Tropas de guardas de fronteiras a interceptar e inspecionar embarcações e, em caso de resistência armada, repelir agressões em defesa da soberania nacional.

A segunda pergunta formulada pelo Razones de Cuba aborda o contexto político mais amplo: “O que significa este fato em meio ao recrudescimento do bloqueio? O blog rebate a ideia de que o episódio serviria como diversionsimo, questionando: “Desviar a atenção de quê? Das 243 medidas de Biden ainda vigentes? Da inclusão de Cuba na espuria lista de países patrocinadores do terrorismo?”

O texto sustenta que o governo cubano denuncia de forma sistemática as sanções impostas pelos Estados Unidos e argumenta que não haveria necessidade de “inventar um ataque” para tratar de uma crise humanitária.

Outra indagação apresentada pela análise refere-se à origem da embarcação. Considerando que a lancha tinha matrícula da Flórida, o blog questiona: “Como é possível que tenha partido impunemente do território dos Estados Unidos? Onde estava a Guarda Costeira dos EUA? Por que não foi impedida a saída de uma embarcação que depois cometeria um ato de agressão?”

O Razones de Cuba afirma ainda que há “há um comunicado oficial do MININT, há cinco combatentes cubanos que viveram o ataque, há um comandante ferido, há quatro agressores mortos e seis detidos”, sustentando que os fatos documentados contradizem versões que tentam desacreditar o relato oficial.

Enquanto as autoridades cubanas aprofundam as investigações sobre o ataque em Villa Clara, o episódio amplia o debate sobre soberania, direito internacional e responsabilidades na segurança marítima regional, em um cenário já marcado por tensões políticas e disputas narrativas no ambiente digital.

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