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Kast e Milei se reúnem em meio a cenário de desgaste político e queda de popularidade

Presidentes ultradireitistas do Chile e da Argentina se encontraram na capital argentina; visita é primeira agenda internacional de Kast

José Antonio Kast e Javier Milei (Foto: REUTERS/Diego Reyes / REUTERS/David 'Dee' Delgado)

247 - Os presidentes ultradireitistas do Chile e da Argentina, José Antonio Kast e Javier Milei, se encontraram nesta segunda-feira (6), em Buenos Aires, em meio a um cenário de desgaste político e queda de popularidade em seus países. A visita marca o primeiro compromisso internacional de Kast desde que assumiu o governo chileno, em 11 de março, seguindo a tradição de priorizar a Argentina como destino inicial. As informações são da RFI.

O encontro ocorre em um contexto inédito no período democrático recente, com os dois países governados por líderes da extrema direita. Kast chegou acompanhado de ministros das áreas de Relações Exteriores, Segurança Pública e Obras Públicas. A agenda inclui temas como cooperação econômica, energética e judiciária, além de medidas voltadas ao combate à imigração ilegal.

Extradição entra na pauta

Entre os pontos discutidos está o pedido de extradição de Galvarino Apablaza, acusado de envolvimento no assassinato do ex-senador Jaime Guzmán, aliado do ditador Augusto Pinochet, em 1991. O ex-guerrilheiro, de 75 anos, viveu por décadas na Argentina e é considerado foragido.

Guzmán foi um dos principais formuladores da Constituição chilena de 1980, elaborada durante o regime autoritário de Pinochet. Kast mantém proximidade política com esse legado de violência e repressão.

Queda rápida no Chile

O governo chileno enfrenta uma queda expressiva de aprovação poucas semanas após a posse. Levantamentos indicam recuos entre 10 e 17 pontos percentuais. Segundo a consultoria Cadem, a aprovação caiu de 57% para 47%. Outras pesquisas também registraram redução significativa no apoio ao governo.

Entre os fatores está o aumento dos combustíveis, com alta de 32% na gasolina e de 62,4% no diesel. A medida impactou o custo de vida e gerou críticas. O governo atribui o reajuste a fatores externos, enquanto especialistas apontam decisões internas como elemento central para a alta.

Milei enfrenta desgaste e denúncias

Na Argentina, Milei também registra piora nos índices de aprovação. Pesquisa da AtlasIntel indica reprovação de 61,6% e aprovação de 36,4%. O cenário econômico inclui aumento do desemprego, crescimento da informalidade e inflação em alta há nove meses consecutivos.

O governo também enfrenta denúncias de corrupção. Entre os casos citados estão investigações envolvendo a Agência Nacional para Portadores de Deficiência e suspeitas relacionadas à criptomoeda $Libra. Outro foco de pressão recai sobre Manuel Adorni, aliado de Milei, investigado por supostas irregularidades envolvendo viagens e patrimônio.

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