Leonardo Padura afirma que Cuba vive momento histórico grave
Escritor cubano alerta para cenário imprevisível e defende diálogo diante da crise na ilha
247 - O escritor cubano Leonardo Padura afirmou que Cuba atravessa “um momento histórico muito grave”, marcado por incertezas e pela possibilidade de diferentes desdobramentos políticos e sociais. A declaração foi feita durante um evento realizado no Instituto Cervantes de Paris, onde o autor apresentou a edição francesa do livro Ir até Havana.
As informações foram publicadas originalmente pela agência AFP e reproduzidas pelo portal UOL nesta segunda-feira (26). Conhecido internacionalmente pelos romances protagonizados pelo detetive Mario Conde, Padura avaliou que o país enfrenta um cenário delicado e potencialmente imprevisível.
“Cuba está vivendo um momento histórico muito grave, no qual qualquer coisa pode acontecer”, afirmou o escritor de 70 anos durante o encontro em Paris. Segundo ele, o futuro da ilha pode seguir caminhos distintos, desde mudanças superficiais até cenários mais extremos envolvendo interferência externa.
Padura vê diferentes cenários para Cuba
Ao comentar a situação política cubana, Padura disse que “sobre a mesa estão todos os cenários”. O autor mencionou desde “a famosa fórmula de O Leopardo, de mudar tudo para que nada mude”, até “a pior das opções: uma opção militar americana”.
Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba, o escritor classificou essa hipótese como “um ato de consequências imprevisíveis”. A fala ocorre em meio ao agravamento das dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pela ilha nos últimos anos.
Padura também comparou a situação cubana à venezuelana e ressaltou diferenças importantes entre os dois países. “Em essência, Cuba não é a Venezuela, o que torna mais imprevisível o que possa acontecer”, declarou.
Defesa do diálogo e de mudanças internas
Durante o evento no Instituto Cervantes, o escritor defendeu que qualquer transformação em Cuba ocorra por meio do diálogo e da participação da sociedade. Segundo Padura, a saída para a crise não deve ser resultado de pressões externas ou ações militares.
O autor afirmou esperar que “a palavra diálogo” prevaleça, “com as mudanças que sejam possíveis, que sejam necessárias”. Para ele, Cuba precisa passar por transformações estruturais, mas sem imposições vindas de fora do país.
“Cuba precisa que muitas coisas mudem, mas não porque coloquem uma arma na cabeça do governo cubano”, afirmou. Na avaliação do escritor, as mudanças devem ocorrer porque sejam exigidas pela própria “sociedade”.



