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Lula foi aconselhado a não fazer acenos públicos a Maduro

Objetivo é não acirrar os ânimos com Trump em meio às negociações sobre tarifas comerciais

Lula e Nicolás Maduro (Foto: Ricardo Stuckert/PR | REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi orientado por assessores a não fazer gestos de aproximação pública ao governo de Nicolás Maduro durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), realizada neste domingo (9) em Santa Marta, na Colômbia. Segundo o Valor Econômico, o cuidado do governo brasileiro se deve às negociações comerciais em curso com os Estados Unidos após o tarifaço imposto por Washington.

Durante seu discurso no evento, Lula criticou a presença militar norte-americana nas águas do Caribe e na costa da Venezuela, mas evitou citar o presidente venezuelano diretamente. "A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz”, afirmou o presidente brasileiro.

A orientação para que Lula não fizesse acenos diretos a Caracas foi dada para preservar o diálogo com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação dentro do Planalto é que, diante da política externa norte-americana mais agressiva na região, qualquer gesto pró-Maduro poderia ser interpretado como provocação e comprometer as negociações comerciais em andamento.

Apesar da cautela, Lula usou o espaço da cúpula para criticar a escalada militar e o que chamou de “balcanização” da América Latina. "A América Latina e o Caribe vivem uma profunda crise em seu projeto de integração. Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria. A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa”, disse.

O presidente também lamentou a falta de comprometimento de alguns líderes regionais com as agendas multilaterais. "Vivemos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que muitas vezes não saem do papel. Nossas Cúpulas se tornaram um ritual vazio, dos quais se ausentam os principais líderes regionais", declarou Lula.

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