Lula recebe presidenta do Suriname para ampliar parceria em defesa, comércio e políticas sociais
Visita oficial de Jennifer Geerlings-Simons prevê acordos entre Brasil e Suriname nas áreas de energia, saúde, segurança e conectividade
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe, nesta quinta-feira (28), no Palácio do Planalto, a presidenta do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em visita oficial voltada à ampliação da cooperação bilateral. A agenda prevê a assinatura de acordos nas áreas de defesa, energia, saúde, segurança pública, conectividade e políticas sociais.
O encontro ocorre no contexto dos 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Suriname e marca uma nova etapa de aproximação entre os dois países. Durante briefing realizado no Palácio do Itamaraty, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, afirmou que a prioridade do governo brasileiro é ampliar os resultados concretos da parceria bilateral.
Segundo o Itamaraty, desde o início do atual mandato de Lula foram realizadas 15 reuniões presidenciais e ministeriais entre representantes dos dois países. "Neste contexto de relações comerciais com boas perspectivas, nós vamos assinar, durante a visita, os termos de referência para lançar negociações e ampliar o acordo comercial que a gente tem com o Suriname", declarou Padovan.
A presidenta surinamesa desembarca no Brasil acompanhada de ministros das áreas de Relações Exteriores, Defesa, Agricultura, Assuntos Sociais, Habitação, Transportes, Comunicações e Turismo. Antes do encontro presidencial, integrantes da delegação participaram de reuniões técnicas com autoridades brasileiras para avançar em projetos conjuntos.
Após a cerimônia oficial no Palácio do Planalto, Lula e Jennifer Geerlings-Simons terão reunião reservada, encontro ampliado entre as delegações e declaração conjunta à imprensa.
Cooperação econômica e energética
Um dos principais temas da visita é o fortalecimento da cooperação econômica e energética. O Suriname vive expectativa de crescimento após a descoberta de reservas de petróleo e gás natural estimadas entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris. "O Suriname é um país pequeno, tem apenas 600 mil habitantes. Mas é um país que recentemente descobriu importantes reservas de petróleo", afirmou a embaixadora.
Padovan informou que a exploração das reservas deve começar dentro de aproximadamente dois anos, segundo autoridades surinamesas. O comércio bilateral entre os dois países ainda é considerado limitado, mas o governo brasileiro avalia que há potencial de expansão. A visita deve consolidar negociações para ampliação do acordo comercial já existente.
A programação da delegação inclui ainda uma reunião empresarial com representantes de empresas brasileiras e setores produtivos ligados à energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações. "Nós temos o maior programa de cooperação bilateral da América do Sul com o Suriname", disse Padovan ao mencionar projetos conjuntos em áreas como combate ao fogo e segurança de barragens.
Políticas sociais e saúde
A agenda da presidenta do Suriname inclui visitas, na sexta-feira (29), a uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), a um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida e à Embrapa Cerrados. De acordo com o Itamaraty, o governo surinamês demonstrou interesse em conhecer experiências brasileiras nas áreas de assistência social, habitação, saúde pública e agricultura.
Entre os atos previstos estão acordos sobre políticas sociais, universalização do acesso à saúde, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e combate ao tráfico de pessoas. Brasil e Suriname também devem ampliar a cooperação em defesa, segurança pública e proteção da Amazônia.
"O Suriname é membro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Nós temos uma colaboração intensa", afirmou Padovan. A embaixadora destacou ainda que 93% do território surinamês é coberto por florestas, o que amplia o interesse dos dois países em ações conjuntas de preservação ambiental e combate ao crime organizado na Amazônia.
Defesa e integração regional
Na área de defesa, os governos trabalham na atualização do Acordo de Cooperação em Matéria de Defesa. Segundo o Itamaraty, o instrumento precisou ser adaptado após mudanças relacionadas à Lei de Acesso à Informação no Brasil. "A gente vai anunciar, espero, a promulgação do nosso Acordo em Matéria de Defesa", afirmou Padovan.
Os dois países também discutem medidas para ampliar conexões aéreas e marítimas e acelerar o projeto conhecido como "Anel das Guianas", iniciativa voltada à integração entre o Norte do Brasil, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
O diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, embaixador João Marcelo Queiroz, afirmou que ainda há desafios para ampliar o transporte de passageiros e cargas entre os países.
Ajuda humanitária
O governo brasileiro disponibilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira para o deslocamento da presidenta do Suriname ao Brasil devido às limitações de conectividade aérea entre os dois países. A operação também transportou vacinas pneumocócicas, testes de Covid-19 e medicamentos para tratamento de tuberculose enviados pelo Brasil ao Suriname.
Segundo o Itamaraty, a ação faz parte da política de cooperação humanitária brasileira voltada aos países da região. "Com todos os países da região, nós temos uma muito vigorosa cooperação humanitária", declarou Gisela Padovan.



