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Narcotraficante diz que Noboa ordenou assassinato de Villavicencio e afirma temer ser extraditado ao Equador

Em depoimento à Promotoria de Zaragoza, Wilmer Chavarría nega participação no crime de 2023 e acusa o presidente equatoriano

Daniel Noboa, presidente do Equador (Foto: REUTERS/Karen Toro )

247 – O narcotraficante equatoriano Wilmer Chavarría, conhecido como “Pipo” e apontado como principal líder da facção Los Lobos, negou à Justiça espanhola ter participado do assassinato do então candidato presidencial Fernando Villavicencio e acusou o presidente do Equador, Daniel Noboa, de ter ordenado o crime. As declarações foram dadas em audiência na cidade de Zaragoza, na Espanha, em meio ao processo de extradição solicitado por autoridades equatorianas.

Segundo a teleSUR, Chavarría prestou depoimento nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, à Promotoria de Zaragoza, acompanhado por seu advogado e sob forte custódia policial, enquanto permanece preso no complexo penitenciário de Zuera, aguardando a decisão sobre sua extradição.

Depoimento sob custódia e recusa a responder ao Equador

Chavarría compareceu às dependências judiciais espanholas a pedido do Equador, com a presença de agentes da Polícia Nacional espanhola e integrantes de forças especiais. De acordo com informações atribuídas à sua defesa, ele respondeu às perguntas da promotora da Unidade de Cooperação Internacional e às de seu advogado, mas se recusou a responder às questões encaminhadas pelo Ministério Público equatoriano.

No núcleo de sua fala, o detento sustentou que teria recebido, de uma pessoa próxima ao ministro do Interior do Equador, John Reimberg, a informação de que a morte de Villavicencio foi decidida por Daniel Noboa diante do risco de derrota eleitoral. A versão apresentada por Chavarría afirma que o então candidato poderia vencer o pleito e, por isso, o crime teria sido “ordenado” no mais alto nível do governo equatoriano, segundo ele.

Ao relatar o que considera uma operação política para influenciar as autoridades espanholas, Chavarría declarou: “A intenção tanto de Noboa como de Reimberg é enganar as autoridades da Espanha”. Na mesma linha, disse temer pela própria vida caso seja enviado ao Equador, argumento que, segundo sua narrativa, reforçaria a necessidade de proteção sob jurisdição espanhola.

Disputa por extradição e a menção aos Estados Unidos

O depoimento também inseriu a extradição no centro de uma disputa internacional. Chavarría afirmou que as autoridades do Equador estariam buscando “manipular” informações para obter autorização da Espanha, seja para enviá-lo ao próprio Equador, seja para encaminhá-lo aos Estados Unidos, país que também o reclama por acusações de narcotráfico.

Nessa parte do relato, o preso afirmou que, se for extraditado aos Estados Unidos, haveria uma tentativa de forçá-lo a colaborar contra o ex-presidente Rafael Correa. Ele foi taxativo ao negar qualquer vínculo pessoal com o ex-mandatário, ao afirmar que as autoridades norte-americanas “pretendem que eu declare contra o ex-presidente Rafael Correa, a quem neguei conhecer”.

Chavarría também alegou ter sofrido ameaças do ministro John Reimberg durante uma detenção anterior em Málaga. Segundo sua versão, o episódio teria ocorrido em uma sala com câmeras de segurança, e ele pediu que as gravações sejam verificadas para comprovar o que diz ter acontecido. “Peço que revisem as gravações, porque ali fica evidente o que ocorreu”, afirmou, conforme seu relato.

Em outra acusação, o líder dos Los Lobos disse que o presidente e o ministro buscariam “tirar-lhe de circulação” por razões ligadas ao próprio mercado do narcotráfico. A frase atribuída ao detento sugere uma denúncia grave, ao sustentar que ambos desejariam “me tirar de circulação por eu ser um competidor no mercado do narcotráfico, no qual o presidente está desempenhando um papel importante”.

O assassinato de Villavicencio e o que já foi julgado

Fernando Villavicencio, jornalista e político, foi assassinado em 9 de agosto de 2023, ao deixar um ato de campanha no norte de Quito. O atentado, segundo o relato do próprio texto-base, foi executado por sete sicários colombianos. Cinco deles foram condenados como autores materiais, enquanto os demais morreram na prisão antes de prestar depoimento às autoridades.

A trajetória de Villavicencio foi marcada por denúncias de corrupção estatal e pela exposição de possíveis vínculos entre narcotráfico e setores do poder político. Por isso, o caso ganhou dimensão regional e se tornou um símbolo da crise de segurança no Equador, atravessada por disputas entre facções e por acusações de infiltração do crime organizado em estruturas públicas.

A versão apresentada agora por Chavarría tenta reposicionar o crime no tabuleiro político institucional, ao apontar diretamente para o atual presidente equatoriano. Ao mesmo tempo, sua narrativa se apoia no argumento de risco pessoal, ao sustentar que poderia ser morto caso seja entregue às autoridades equatorianas.

Investigação equatoriana, acusações e o impasse político-judicial

O texto informa que a Promotoria do Equador imputou recentemente a Wilmer Chavarría como suposto participante do planejamento do atentado. O processo mencionado envolve também um grupo de empresários investigados em casos de corrupção denunciados por Villavicencio e o ex-ministro José Serrano.

De acordo com a linha investigativa descrita, as autoridades equatorianas sustentam que os autores intelectuais do assassinato buscavam impedir o avanço das apurações iniciadas pelo então candidato. Nesse cenário, a fala de Chavarría na Espanha tem impacto direto, porque confronta a tese institucional do Equador, ao deslocar a responsabilidade para o governo de Daniel Noboa e ao acusar autoridades de tentar influenciar a decisão espanhola sobre extradição.

Chavarría disse que decidiu falar por confiar no sistema espanhol e por acreditar que as autoridades do país não permitiriam o desaparecimento de evidências. Ele declarou, nesse sentido, que confia que a Espanha “não permitirá que desapareça a gravação na qual se menciona a participação de Noboa no assassinato de Villavicencio”.

O narcotraficante foi detido em 15 de novembro de 2025 no aeroporto de Málaga, data que coincide, segundo o texto, com a realização de um referendo considerado decisivo no Equador e impulsionado pelo governo Noboa. A Espanha mantém a prisão preventiva enquanto avalia o pedido de extradição, em um processo que agora passa a incluir, além das acusações criminais, uma batalha narrativa sobre segurança, soberania judicial e alegações de instrumentalização política.

Com o caso novamente sob holofotes, o depoimento de Zaragoza pode tensionar ainda mais o ambiente político no Equador e aprofundar o impasse internacional sobre a destinação de um dos nomes mais citados na escalada do crime organizado no país, ao mesmo tempo em que reabre, sob um ângulo explosivo, a disputa por versões sobre o assassinato de Fernando Villavicencio.

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