Pela quarta semana consecutiva, protestos na Bolívia exigem renúncia de Rodrigo Paz
Protestos na Bolívia somam 59 bloqueios e reúnem agricultores, mineiros, sindicatos e moradores de El Alto
247 - Os protestos na Bolívia chegaram à quarta semana nesta segunda-feira (25), com 59 bloqueios de estradas em seis das nove regiões do país, mobilizações de agricultores, mineiros, sindicatos e moradores de El Alto, além de crescente pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira. As informações são da teleSUR.
Segundo a Telesur, a principal mobilização do dia ocupou o Paseo del Prado, no centro de La Paz, reunindo colunas de agricultores da zona sul da capital, moradores de El Alto, trabalhadores mineiros, associações de bairro e representantes de diferentes sindicatos. Os manifestantes expressaram rejeição ao governo e ao plano de privatizações atribuído à administração de Rodrigo Paz.
A jornada também foi marcada por tensão nas imediações da Praça Murillo, onde um grupo de manifestantes foi reprimido pela polícia ao tentar entrar na região. As manifestações fazem parte da quarta semana de mobilizações convocadas pela Central Operária Boliviana, em paralelo aos bloqueios de rodovias que se espalham por seis regiões do país.
Bloqueios atingem estradas e ruas em La Paz
Além das manifestações no centro de La Paz, houve bloqueios de ruas motivados pela escassez de combustível. Outro grupo de manifestantes impediu a entrada e a saída de passageiros e encomendas nos portões do Aeroporto Internacional de El Alto, ampliando os impactos da crise sobre a circulação de pessoas e serviços.
De acordo com a Administradora Boliviana de Carreteras, os 59 pontos de bloqueio estão distribuídos em seis das nove regiões da Bolívia. O mapa oficial apontou protestos em La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca, Cochabamba e Santa Cruz, enquanto Beni, Pando e Tarija permaneceram sem bloqueios nas rodovias.
Aimarás resistem a operação entre La Paz e Oruro
A resistência do povo aimará do Altiplano, na rota entre La Paz e Oruro, impediu a execução de uma operação do governo para liberar estradas. A ação envolvia forças policiais e militares, além de um ministro de Estado responsável pelo operativo.
A tentativa de reabertura das vias fracassou pela segunda vez no sábado. As forças conjuntas tiveram de se retirar da área por rotas alternativas de terra batida, após não conseguirem sustentar a abertura da estrada diante da resistência dos manifestantes.
O governo havia denominado a operação de Corredor Humanitário com Bandeiras Brancas. A ação utilizou tratores, policiais e militares, que recorreram a gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Depois da passagem da caravana, os bloqueios foram reinstalados com terra, pedras e troncos.
Morte de agricultor aumenta tensão no campo
Durante a operação, um agricultor de 24 anos morreu, o que provocou indignação e ampliou o mal-estar entre populações rurais. O episódio elevou a tensão em um cenário já marcado por protestos prolongados, bloqueios e enfrentamentos com forças de segurança.
A Central Operária Boliviana abriu a possibilidade de diálogo com o governo, mas apresentou duas condições: a libertação dos detidos nos confrontos dos últimos dias e a suspensão do mandado de prisão contra Mario Argollo, dirigente da organização, além de outros líderes sindicais.
Até o momento citado pela teleSUR, o governo não havia respondido à proposta de diálogo. Antes disso, Rodrigo Paz havia afirmado que aqueles que bloqueiam estradas devem se submeter à Constituição e ao sistema de Justiça.
COB orienta passagem humanitária nos bloqueios
Em cumprimento a uma resolução de ação popular emitida pela Segunda Câmara Constitucional de La Paz, a organização sindical orientou suas bases a adotar critérios humanitários nos pontos de bloqueio.
A instrução determina que ambulâncias, veículos de emergência, profissionais de saúde e transporte de medicamentos tenham passagem imediata e sem restrições. A medida busca proteger pessoas em situação de vulnerabilidade em meio à continuidade das mobilizações.
A crise política e social na Bolívia segue concentrada em torno da pressão popular contra Rodrigo Paz, da rejeição ao plano de privatizações e da disputa em torno dos bloqueios de estradas, que se mantêm como principal instrumento de mobilização dos setores sociais envolvidos nos protestos.


