AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > América Latina

Petro alerta para risco de fraude e cobra controle estatal do sistema eleitoral na Colômbia

Presidente questiona gestão privada do software de apuração e Defensoria aponta risco crítico em 69 municípios antes das legislativas de 2026

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 09/11/2025 (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, alertou para a existência de “sérios indícios” de possível fraude eleitoral às vésperas das eleições legislativas marcadas para 8 de março de 2026. O chefe de Estado também questionou o fato de o software e a administração dos dados da contagem de votos permanecerem sob responsabilidade de operadores privados.

A informação foi divulgada pela teleSUR nesta segunda-feira (24), com base em declarações públicas do presidente e em relatório da Defensoria do Povo sobre o cenário de segurança eleitoral no país. Segundo a emissora, Petro defendeu mudanças estruturais no modelo de gestão do sistema de apuração para assegurar maior transparência e soberania tecnológica.

Em discurso público, o presidente enfatizou que o sistema eleitoral deve estar sob controle direto do Estado colombiano, especialmente no que se refere ao processamento digital dos resultados. Para ele, essa medida é fundamental para garantir transparência, legitimidade democrática e soberania tecnológica.

Petro citou nominalmente a empresa Thomas Gregg & Sons, historicamente envolvida na logística eleitoral do país, e afirmou que ela não deveria ter acesso ao software de contagem de votos. De acordo com o presidente, há interesses obscuros em torno da companhia que justificam uma revisão profunda no modelo de contratação adotado nas eleições.

Ao relembrar pleitos anteriores, o chefe de Estado afirmou que, entre 2014 e 2018, ocorreram irregularidades na apuração das eleições legislativas, o que teria resultado na atribuição indevida de votos a membros do Congresso. Segundo ele, uma decisão judicial posterior reconheceu essas anomalias, mas foi emitida após o encerramento do período legislativo, o que impediu a reversão dos efeitos políticos.

Petro também declarou que, nas eleições de 2022, o Pacto Histórico — coalizão que o levou à Presidência — perdeu cerca de 400 mil votos, os quais, segundo afirmou, foram recuperados graças ao trabalho das testemunhas eleitorais.

O presidente anunciou ainda que encaminhará às autoridades competentes, inclusive a instâncias internacionais, as provas apresentadas em sua intervenção pública, com o objetivo de que os fatos sejam investigados e que sejam adotadas correções estruturais no sistema.

Risco à segurança eleitoral

As declarações de Petro ocorrem em meio a preocupações crescentes sobre a segurança do processo eleitoral. A Defensoria do Povo apresentou seu relatório de acompanhamento eleitoral 2025-2026, no qual aponta que a resposta estatal aos riscos identificados é apenas parcial.

O órgão identificou 69 municípios classificados com nível crítico de risco para a realização das eleições — número superior ao registrado em avaliações anteriores. Também aumentou a quantidade de territórios que demandam intervenção urgente ou prioritária.

O relatório alerta para a consolidação de estruturas armadas que exercem controle territorial e influenciam dinâmicas políticas locais. Nos departamentos de Córdoba e Antioquia, é mencionada a presença dominante do chamado Clan del Golfo. Já no sudoeste do país — incluindo Cauca, Nariño, Putumayo e áreas de Chocó e Valle del Cauca — persistem ameaças, restrições à mobilidade e episódios de violência contra lideranças sociais e candidatos.

A Defensoria advertiu que entre as populações mais expostas a riscos estão signatários do acordo de paz, líderes sociais, defensores de direitos humanos e candidatos a cargos eletivos em regiões com forte presença armada. Nas últimas semanas, foram registrados assassinatos e sequestros no departamento de Cauca, reforçando as preocupações quanto às garantias para o pleno exercício dos direitos políticos em determinadas áreas do país.

O debate eleitoral colombiano para 2026, segundo destaca a teleSUR, envolve não apenas a questão da segurança territorial, mas também a soberania sobre a infraestrutura tecnológica do sistema de votação. Para o Executivo, o controle estatal do software de apuração é condição essencial para fortalecer a confiança pública nas instituições democráticas.

Com o calendário eleitoral em curso, a Colômbia enfrenta o desafio de assegurar que as eleições legislativas ocorram com transparência, garantias institucionais e condições de segurança que permitam o exercício livre do voto em todo o território nacional.

Artigos Relacionados