Petro defende democracia colombiana contra pressão dos EUA
Gustavo Petro afirmou que a livre decisão do povo colombiano deve ser respeitada diante de declarações de senador dos EUA
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a democracia colombiana contra a pressão dos EUA e afirmou que a livre decisão do povo deve ser respeitada diante de declarações do senador estadunidense Bernie Moreno sobre as eleições presidenciais do país, informa a Prensa Latina.
A reação de Petro ocorreu após Moreno dizer que os Estados Unidos poderiam não reconhecer o resultado das eleições colombianas, marcadas para ocorrer em dez dias, segundo a Prensa Latina. Em sua conta na rede social X, o presidente colombiano respondeu que “a livre decisão do povo colombiano é respeitada”.
Declaração de Bernie Moreno elevou tensão eleitoral
Moreno, senador de origem colombiana, afirmou em entrevista que “se a Colômbia, Deus nos livre, tomar o caminho errado, o que veremos é que todos os maus atores que estão atualmente em Cuba, Venezuela e Nicarágua migrarão para a Colômbia”.
Embora não tenha citado nomes ou partidos, a declaração foi interpretada como uma tentativa de influenciar o ambiente eleitoral e desestimular o voto em candidaturas de esquerda. O principal nome desse campo é Iván Cepeda, apontado como líder nas pesquisas de apoio popular.
O senador também enviou uma mensagem aos candidatos Paloma Valencia, da direita, e Abelardo De la Espriella, da extrema direita. “Esta é uma disputa a três; os dois candidatos, que estão em grande parte alinhados dentro de uma margem muito estreita, devem estar completamente unidos logo na segunda-feira, 1º de junho”, afirmou.
A fala parte da hipótese de que nenhum dos candidatos obtenha 50% mais um dos votos válidos em 31 de maio, o que levaria a eleição a um segundo turno. Nesse cenário, Cepeda já teria vaga assegurada na etapa seguinte da disputa, conforme o contexto descrito pela agência.
Senador dos EUA atua como observador internacional
Bernie Moreno está registrado como observador internacional das eleições presidenciais colombianas. Ele também afirmou que pretende retornar ao país em 7 de agosto, data prevista para a posse do próximo presidente eleito, chefiando uma delegação dos Estados Unidos que participaria da cerimônia.
A presença do senador no processo eleitoral ocorre em meio a uma campanha marcada por denúncias de ingerência estrangeira. Há dois dias, Petro pediu uma investigação sobre a existência de uma suposta rede internacional voltada a influenciar o resultado das urnas.
O presidente colombiano mencionou reportagens da imprensa sobre ações atribuídas a atores ligados ao narcotráfico, à extrema direita e a redes estrangeiras com interesses políticos na região. Segundo Petro, o objetivo dessas articulações seria sabotar lideranças progressistas.
Petro aponta suposta rede contra governos progressistas
Ao comentar o caso, Petro citou denúncias envolvendo o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Foi noticiado por veículos de imprensa sérios em todo o mundo que o Sr. Orlando Hernández, creio que seja esse o nome, ex-presidente de Honduras e narcotraficante, foi libertado da prisão simplesmente por causa do dinheiro que recebeu do Sr. Netanyahu (Benjamin). Eles juntaram o dinheiro para construir uma série de redes de comunicação cuja missão é destruir os governos do México e da Colômbia”, afirmou.
Petro também alertou que agentes estrangeiros teriam conexões com pessoas dentro do território sul-americano, incluindo políticos e empresários. De acordo com o presidente, esses atores teriam como missão interferir no processo eleitoral e alterar o resultado das votações.
A disputa presidencial colombiana, portanto, avança sob forte tensão política, com o governo denunciando riscos de interferência externa e defendendo que a soberania popular seja preservada diante das pressões vindas do exterior.


