Roberto Sánchez rejeita resultado das eleições no Peru e convoca “resistência patriótica”
Candidato acusa autoridades eleitorais de fraude e afirma que não reconhecerá vitória apertada de Keiko Fujimori
247 – O candidato à presidência do Peru Roberto Sánchez afirmou que não reconhecerá o resultado das eleições realizadas em 7 de junho e acusou as autoridades eleitorais do país de fraude para favorecer sua adversária, Keiko Fujimori, do Fuerza Popular.
Segundo a Sputnik Brasil, Sánchez fez a declaração na terça-feira (23), em coletiva de imprensa, ao contestar a apuração que aponta uma vitória apertada de Fujimori após a inclusão dos votos de peruanos residentes no exterior.
O candidato convocou seus apoiadores a liderarem uma "resistência patriótica" e os incentivou a ocupar as ruas para pressionar as instituições eleitorais peruanas. De acordo com Sánchez, houve alteração na contagem dos votos do exterior, que foram decisivos para inverter o resultado da disputa.
Votos do exterior mudam o cenário eleitoral
A controvérsia se concentra no peso dos votos de peruanos que vivem fora do país. Especialistas citados pela Sputnik atribuem a vantagem final de Keiko Fujimori principalmente ao apoio recebido no exterior, onde a candidata obteve cerca de 300 mil votos. Mais de 1,2 milhão de eleitores estavam aptos a votar em consulados ao redor do mundo.
Dentro do Peru, Sánchez aparece à frente de Fujimori, com 50,1% dos votos contra 49,8%. No entanto, quando os votos do exterior são incorporados à contagem, o placar se inverte: Keiko Fujimori passa a liderar por 50,09% a 49,9%.
Com quase 100% das atas de votação do exterior apuradas, a vantagem de Fujimori fora do país foi expressiva. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, recebeu mais de 63,2% dos votos no exterior, ultrapassando a marca de 190 mil votos.
Sánchez acusa fraude e eleva tensão política
Ao afirmar que não aceitará o resultado, Roberto Sánchez eleva a tensão em um cenário eleitoral já marcado por forte polarização. A disputa apertada e a diferença mínima entre os candidatos colocam as instituições eleitorais peruanas sob pressão.
A declaração "'não reconheceremos os resultados das eleições'", atribuída a Sánchez, reforça o clima de impasse no país. O candidato sustenta que a apuração foi manipulada para beneficiar Fujimori, embora o texto fornecido não apresente manifestação das autoridades eleitorais sobre a acusação.
Keiko Fujimori, herdeira política do fujimorismo, chega mais uma vez ao centro de uma disputa presidencial marcada por divisões profundas no Peru. A vantagem obtida no exterior, decisiva para sua liderança no resultado agregado, tornou-se o principal foco das contestações de Sánchez e de seus apoiadores.



