Com vitória apertada para extrema-direita, Petro rejeita resultado eleitoral na Colômbia e pede “paz e acordo nacional”
Márcia Carmo, direto de Bogotá: vitória da extrema-direita na Colômbia terá impactos no Brasil; anúncio oficial do presidente eleito só deve sair na terça
Marcia Carmo, enviada especial a Bogotá
Com 99,70% da apuração das mesas (sessões) eleitorais, o candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella recebeu 49,65% dos votos e o presidenciável da esquerda Iván Cepeda pouco menos, com 48,71% da votação, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
A diferença apertada, de menos de 1% (245 mil votos) levou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a declarar que só aceitará o resultado final após a análise (‘escrutínio’) dos juízes do país especializados na apuração da eleição. Em suas redes sociais, Petro disse que “não é possível declarar nenhum presidente”.
E afirmou: “Somente o escrutínio (dos juízes) determinará quem será o próximo presidente do país”. Petro também pediu tranquilidade à população e reconheceu que a Colômbia é hoje “um país dividido ao meio e a interferência estrangeira nos tira a liberdade”.
O presidente disse que existe a necessidade de um “acordo nacional” para manter “a Pátria em paz”. Logo cedo, antes da abertura das urnas, ele mandou um claro recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apoio abertamente a eleição do opositor de Petro e de Cepeda.
Petro também já tinha rejeitado o resultado do primeiro turno quando De la Espriella saiu vitorioso com diferença de cerca de 3% para Cepeda. A declaração oficial do presidente eleito está prevista para terça-feira, após a realização da avaliação dos juízes especializados, segundo as regras locais.
No entanto, a imprensa local (jornais, portais de notícias e rádios) já informam que Abelardo de la Espriella, que gosta de ser chamado de ‘O Tigre’, que é admirador de Trump, Milei e de Flávio Bolsonaro, é o presidente do país vizinho do Brasil.
A diferença apertada faz lembrar a situação vivida no Peru, onde o candidato da esquerda à Presidência, Roberto Sánchez, não aceita o resultado favorável para Keiko Fujimori, da direita, porque a apuração mostrou um país dividido e uma diferença de votos apertada.
Apesar do resultado preliminar apontar a vitória de Espriella, a legislação colombiana prevê uma segunda etapa de apuração, conhecida como "escrutínio", quando juízes e autoridades eleitorais revisam as atas de votação para corrigir possíveis inconsistências. A contagem oficial terá início nesta segunda-feira (22), e somente após esse processo o resultado será formalmente proclamado.
Caso seja confirmado, o resultado representará uma significativa mudança política na Colômbia. Após quatro anos de governo de esquerda sob a liderança de Petro, o país passará a ser governado por um presidente alinhado à direita e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.



