Familiares de vítimas de massacres no Peru rejeitam Keiko Fujimori
Manifestantes veem risco aos direitos humanos caso Keiko Fujimori assuma presidência peruana
247 - Familiares de vítimas da repressão aos protestos de 2022 e 2023 no Peru rejeitaram a vitória de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais e afirmaram ver risco aos direitos humanos no país com a possível chegada da líder da direita ao Poder Executivo.
O protesto ocorreu na terça-feira, 16 de junho, em frente ao Palácio da Justiça, em Lima. Integrantes da Associação de Mártires e Vítimas dos protestos de 2022 e 2023 acusaram o fujimorismo de proteger os responsáveis pela morte de manifestantes durante a repressão estatal ocorrida após a crise política que levou Dina Boluarte ao poder.
A principal porta-voz da organização, Milagros Samillán, afirmou que as famílias não aceitarão um governo liderado por Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Segundo ela, o partido Fuerza Popular atuou historicamente para proteger Boluarte e ministros apontados por familiares das vítimas como responsáveis por ordenar ações violentas contra a população.
Durante o ato, manifestantes carregaram retratos de pessoas mortas em regiões do sul do Peru, como Ayacucho, Apurímac, Junín, Macusani e Juliaca. Nessas localidades, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, da coalizão Juntos pelo Peru, obteve expressiva votação contra o fujimorismo.
Milagros Samillán também lembrou que seu irmão foi morto em Juliaca enquanto prestava assistência médica a manifestantes feridos. A repressão às mobilizações contra o governo Boluarte deixou 49 civis mortos entre o fim de 2022 e o início de 2023, de acordo com o relato apresentado pela organização.
Entidades sociais denunciam que parlamentares do Fuerza Popular impulsionaram iniciativas legislativas destinadas a garantir impunidade a policiais e militares que atiraram contra manifestantes. Os protestos daquele período pediam a renúncia de Dina Boluarte e expressavam rejeição à repressão promovida pelo Estado.
A organização de direitos humanos advertiu que a eventual ascensão de Keiko Fujimori à Presidência representa uma ameaça grave aos direitos humanos no Peru. Os familiares também afirmam que a falta de justiça persiste tanto para as vítimas recentes quanto para os atingidos pela ditadura de Alberto Fujimori.
Além das denúncias sobre impunidade, as famílias questionaram a transparência do processo eleitoral. Segundo os manifestantes, houve supostas irregularidades na contagem dos votos provenientes do exterior, onde a candidatura fujimorista teria obtido vantagem decisiva após mudanças nas regras de digitalização no segundo turno.
Porta-vozes da mobilização atribuíram a Keiko Fujimori a responsabilidade por eventuais tensões sociais que possam ocorrer nas ruas. Eles afirmam que jovens e movimentos populares se organizam para enfrentar o que consideram um governo ilegítimo e autoritário.
A ativista também rechaçou tentativas de criminalizar a mobilização dos familiares. Segundo a organização, os integrantes da associação não são terroristas, mas parentes de pessoas que perderam a vida durante a repressão estatal.



