HOME > América Latina

Sánchez e Fujimori encerram campanha em eleição decisiva no Peru

Candidatos chegam ao segundo turno em disputa apertada, com Roberto Sánchez defendendo nova Constituição e Keiko Fujimori apostando na segurança

Roberto Sanchez (Foto: REUTERS/Angela Ponce)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 – Os candidatos Roberto Sánchez, da coalizão de esquerda Juntos por el Perú, e Keiko Fujimori, da direitista Fuerza Popular, encerraram nesta quinta-feira suas campanhas para o segundo turno presidencial no Peru, marcado para domingo, 7 de junho. A eleição definirá quem governará o país entre 2026 e 2031, após uma década marcada por forte instabilidade política e pela sucessão de oito presidentes.

As informações são da teleSUR, com base em agências. Segundo a emissora, Sánchez concluiu sua campanha em Arequipa reafirmando a proposta de convocar uma consulta popular para substituir a Constituição de 1993, promulgada durante o governo de Alberto Fujimori, pai de Keiko. Já a candidata da direita concentrou seu discurso na insegurança e prometeu uma “guerra” contra criminosos.

Disputa apertada e país dividido

As pesquisas indicam que a diferença entre os dois candidatos está dentro da margem de erro, o que impede uma previsão categórica sobre o resultado final. A disputa ocorre em um ambiente de forte polarização política, agravado por anos de crise institucional no Peru.

Sánchez afirmou que pretende convocar um referendo para consultar a população sobre uma nova Constituição. “Aos agentes econômicos, políticos e sociais, a todo o Peru, aos 35 milhões de peruanos: faremos um grande referendo e diremos: ‘Querido povo, chegou o momento, vocês querem uma nova Constituição?’”, declarou o candidato.

O tema constitucional é um dos eixos centrais da campanha da esquerda. Para Sánchez, a Carta de 1993 simboliza a herança política do fujimorismo e deve ser submetida à soberania popular. Keiko Fujimori, por sua vez, busca mobilizar o eleitorado com uma plataforma centrada no combate à criminalidade e na promessa de endurecimento das políticas de segurança.

Ex-candidatos declaram apoio a Roberto Sánchez

Durante a jornada de encerramento da campanha, vários excandidatos presidenciais anunciaram apoio a Roberto Sánchez. Segundo a teleSUR, a adesão ocorreu diante do que esses setores classificam como risco de concentração de poder no Peru caso Keiko Fujimori vença a eleição.

Entre os apoiadores estão Alfonso López Chau, líder do partido de centro-esquerda Ahora Nación; Ricardo Belmont e Daniel Barragán, dirigentes do Obras; e George Forsyth, representante do Somos Perú. Também foram citados como apoiadores Mesías Guevara, do Partido Morado, e Yhony Lescano, da Cooperación Popular.

Sánchez agradeceu o apoio dos antigos adversários eleitorais e apresentou a votação de domingo como um momento decisivo para o país. “O dia 7 de junho é um dia fundamental, um momento histórico para o Peru. Quero que saibam que não vou decepcioná-los, porque caminho com meu pai, minha mãe, minha esposa e minhas filhas, com meu povo e com esta equipe de homens e mulheres bons e decentes para recuperar o Peru”, afirmou.

Alerta contra concentração de poder

Os políticos que aderiram à candidatura de Sánchez afirmaram que o objetivo é proteger a institucionalidade democrática e evitar que o fujimorismo concentre poder no Executivo e no Legislativo.

Alfonso López Chau declarou que a separação de poderes deve ser preservada. “Não quero que, no meu país, o poder tenha todo o poder. Se nossa aliança vencer, a senhora Keiko e seus seguidores controlarão o Congresso, mas haverá divisão de poderes; se Keiko vencer, ela controlará tudo e não haverá divisão de poderes. Para mim, a divisão de poderes é o centro de toda Constituição e de todo país”, disse.

O líder do Ahora Nación acrescentou que decidiu se unir a Sánchez para contribuir com um processo de transformação histórica voltado à defesa da soberania popular e ao crescimento econômico.

George Forsyth, do Somos Perú, pediu aos peruanos que não votem em partidos que estiveram no poder nos últimos anos, aos quais se referiu como integrantes de um “pacto mafioso”. “Não quero ver mais ocupação das instituições pelo fujimorismo”, afirmou. Ele também lembrou que, desde que o fujimorismo conquistou maioria parlamentar em 2016, o Peru mergulhou em um ciclo de caos e instabilidade.

Sánchez promete recuperar democracia e equilíbrio de poderes

No encerramento de sua campanha, Roberto Sánchez afirmou que, a partir de 7 de junho, seu governo trabalharia para recuperar a democracia, restabelecer o equilíbrio entre os poderes, revogar as chamadas “leis pró-crime” e recuperar o direito ao referendo.

O candidato também declarou que sua coalizão aceitará o resultado das urnas e pediu que Keiko Fujimori assuma o mesmo compromisso público. “Nós estamos em condições de aceitar os resultados eleitorais e reafirmo isso. Ao contrário, exortamos Keiko a não transmitir mensagens ambíguas e a ser clara em relação ao processo eleitoral”, afirmou.

Sánchez criticou o fato de Fujimori, segundo ele, evitar uma declaração explícita de respeito ao voto popular. O candidato lembrou que a líder da direita não reconheceu sua derrota em 2021, quando foi vencida por Pedro Castillo por uma diferença de 44 mil votos, e insistiu em falar de uma suposta manipulação do processo eleitoral.

Para o candidato da esquerda, caso Keiko volte a levantar a tese da alteração de atas, poderá provocar um cenário de maior instabilidade “neste processo de renovação da democracia tão importante para o país”.

Pedido de observação internacional

Com a disputa em aberto, Sánchez também convocou seus 90 mil observadores a acompanhar a votação nas mesas eleitorais. Além disso, solicitou formalmente a presença de observadores internacionais para garantir a transparência do processo.

“Convoco o sistema eleitoral, a comunidade internacional, os observadores da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia para que acompanhem este processo, para que ele seja transparente, fiscalizado, e para que reafirme e reconheça a vontade do povo”, afirmou.

A eleição de domingo será mais um teste para a democracia peruana, abalada por sucessivas crises de governabilidade, conflitos entre Executivo e Legislativo e forte desconfiança social em relação às instituições. Em um cenário de empate técnico, a disputa entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori sintetiza dois projetos opostos para o futuro do país: de um lado, a proposta de refundação constitucional; de outro, a retomada do fujimorismo com uma agenda de segurança e controle político.

Artigos Relacionados