Trump pode vetar ExxonMobil de atuar na Venezuela
Presidente dos Estados Unidos sinaliza restrições à petroleira após reunião na Casa Branca em meio à crise política e energética envolvendo Caracas
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode impedir a atuação da ExxonMobil na Venezuela, ampliando as tensões em torno do setor energético e das relações entre Washington e Caracas. A declaração foi feita após um encontro com representantes das principais companhias petrolíferas globais, realizado na Casa Branca, e reforça o cenário de incerteza para empresas interessadas em operar no país sul-americano, que detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo.
As informações foram divulgadas originalmente pela Sputnik Brasil, que acompanhou os desdobramentos da reunião ocorrida na sexta-feira (9). O encontro reuniu executivos de quase 20 empresas do setor, entre elas Chevron, ExxonMobil, Shell e ConocoPhillips, em um momento marcado por decisões estratégicas dos Estados Unidos sobre política externa e energia.
Durante a reunião, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, avaliou que a Venezuela seria “inviável para investimentos”, posicionamento que desagradou Trump. Ao comentar a postura da empresa, o mandatário norte-americano foi direto ao falar com jornalistas: “Não gostei da resposta da Exxon [...]. Provavelmente, vou me inclinar a manter a Exxon fora. Não gostei da resposta deles. Estão sendo muito espertinhos”, afirmou.
As declarações ocorrem em um contexto de forte instabilidade envolvendo a Venezuela. Em 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação de grande escala no país, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados posteriormente para Nova York. Trump anunciou que ambos seriam julgados sob acusações de suposto envolvimento em “narcoterrorismo” e de representarem uma ameaça à segurança norte-americana.
Em resposta à operação, Caracas solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a ação norte-americana. Internamente, o Supremo Tribunal da Venezuela decidiu transferir temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que tomou posse oficialmente como presidente interina perante a Assembleia Nacional no dia 5 de janeiro.
O possível veto à ExxonMobil adiciona um novo capítulo às disputas geopolíticas e econômicas envolvendo a Venezuela, o setor de petróleo e gás e a atuação de grandes corporações internacionais, em um cenário que segue em rápida transformação e com impactos diretos sobre o mercado energético global.


