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Unicef alerta para 680 mil crianças afetadas na Venezuela

Terremotos que deixaram hospitais lotados, escolas danificadas e milhares de desaparecidos

Terremoto devasta a Venezuela (Foto: Telesur)
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247 - O Unicef alerta para 680 mil crianças afetadas na Venezuela após os terremotos de 24 de junho, que agravaram a crise humanitária no país, deixaram hospitais acima da capacidade, escolas danificadas e mais de 50 mil pessoas desaparecidas, segundo estimativas divulgadas pela organização. Para enfrentar a emergência, o Unicef calcula que serão necessários US$ 52 milhões. O valor faz parte do orçamento mais amplo da Ação Humanitária para a Infância 2026 no país sul-americano, estimado em US$ 137,6 milhões. A organização informou ainda que destinou cerca de US$ 3,5 milhões de seus próprios fundos emergenciais para viabilizar o envio inicial de equipes e suprimentos. As informações foram publicadas nesta segunda-feira (29) pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de 1,8 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária depois dos dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, considerados um dos episódios sísmicos mais destrutivos da história venezuelana.

Até a tarde desta segunda-feira, as autoridades venezuelanas haviam confirmado ao menos 1.450 mortes e 3.150 feridos. A gravidade da tragédia levou o Unicef a iniciar uma campanha de arrecadação no Brasil para financiar ações emergenciais no país vizinho. As doações podem ser feitas pelo site da organização ou por Pix, pela chave emergencia@unicef.org.

A área mais atingida é Catia La Mar, no estado de La Guaira. Uma avaliação preliminar por satélite apontou que quase um terço dos edifícios da região apresenta algum tipo de dano. O cenário preocupa especialmente pela vulnerabilidade de crianças, famílias desabrigadas e comunidades que já enfrentavam dificuldades de acesso a serviços básicos.

Segundo o representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodríguez Pumarol, a dimensão da emergência passou a ficar mais evidente à medida que as equipes avançaram nas operações de resposta.

“Após três dias de resposta, a dimensão das necessidades começa a ficar mais clara. Os hospitais estão operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável e muitas escolas sofreram danos”, afirmou.

Rodríguez Pumarol também destacou que a continuidade do financiamento será decisiva para manter o atendimento emergencial nas próximas semanas. “O Unicef está trabalhando em conjunto com o governo da Venezuela e seus parceiros para ampliar o apoio às crianças e suas famílias, e será fundamental contar com financiamento contínuo para sustentar essa resposta nas próximas semanas.”

Os tremores comprometeram serviços essenciais em diferentes regiões. Hospitais de Caracas e dos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón sofreram danos graves, o que colocou algumas unidades em situação crítica. O atendimento a crianças e mulheres grávidas também foi afetado, segundo a organização.

Na educação, os impactos são igualmente expressivos. Apenas no Distrito Capital, que integra Caracas, dados preliminares indicam que 432 escolas foram danificadas. O número representa mais de um terço das unidades da região e pode crescer conforme novas avaliações sejam concluídas em outros estados.

Enquanto parte da rede escolar tenta avaliar os prejuízos, autoridades venezuelanas começaram a adaptar unidades que permaneceram intactas para receber famílias que perderam suas casas. A medida busca ampliar a capacidade de abrigo em meio ao grande número de desabrigados e desaparecidos.

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