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Alberto Cantalice

Diretor da Fundação Perseu Abramo e membro da Direção do PT

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A disputa contra a regressão reacionária é uma guerra de posição

"O que há de mais fantástico do que a realidade?" - Fiodor Dostoiévski

Flávio Bolsonaro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O que se apresenta para as eleições de 2026 em muito pouco se difere da disputa realizada no pleito de 2022. Naquele momento, ficou claro que a continuidade de Jair Bolsonaro na presidência abriria uma janela de oportunidades para que, "autorizado" pela maioria da população, o então incumbente promovesse um turning point rumo ao autoritarismo de caráter regressivo. Fato que ficou claro na tentativa de golpe de Estado do 8 de janeiro.

Além do rompimento da democracia, avizinhava-se um choque à la Milei na economia, com a privatização do que restava do patrimônio da União e cortes profundos nos programas de transferências de renda, já que a proposta orçamentária apresentada pelo então ministro Paulo Guedes não previa o provisionamento de tais recursos.

A vitória de Lula por pequena margem consumou a rejeição do intento planejado pela trinca palaciana Bolsonaro-Guedes-Braga Netto, e o apoio sólido das demais instituições da República e da cidadania derrotou a trama golpista.

Entretanto, o estreitamento da margem da vitória não arrefeceu o ímpeto da extrema-direita que, por imposição do patriarca, ungiu seu primogênito como herdeiro do legado para enfrentar Lula.

O rápido crescimento nas pesquisas do contendor ungido enterrou as pretensões da Faria Lima e de parte da mídia hegemônica em construir a candidatura de Tarcísio de Freitas e, com isso, aglutinar o sentimento conservador e avesso a mudanças existente na sociedade.

Vencida essa etapa, o bolsonarismo buscou "humanizar" o candidato, tentando torná-lo palatável aos olhos do eleitorado não polarizado. Empreitada que contou inicialmente com a simpatia de setores da mídia.

Tão logo abraçado pelo PL, voltaram com toda a força as fake news contra o governo Lula e a tentativa de colar a crise das falcatruas do INSS e a picaretagem do banco Master no atual governo. Intento que, completamente fora da realidade fática, tem no desgoverno Bolsonaro e na presidência do Banco Central da era Campos Neto sua origem. Mestres na construção de falsas narrativas, a extrema-direita tenta iludir a população e emparedar as forças democráticas, usando de métodos escusos, criando um cenário de guerra de posição de caráter ofensivo.

Em contraposição, é exigido do PT e do governo a divulgação massiva dos feitos do atual mandato de Lula, a defesa da soberania nacional e a execução das pautas de interesse dos trabalhadores, onde pontificam o fim da escala 6×1, a aprovação da PEC da Segurança e a tributação das BETs. Pautas essas que sofrem uma blindagem por parte da maioria conservadora no Congresso Nacional e na mídia empresarial.

Cabe ainda lembrar que a candidatura de Flávio "BolsoMaster" é fruto das viúvas do golpe tentado do 8 de janeiro, e que, com sua vitória, nada garante a continuidade do processo democrático, já que entre suas bandeiras está a anistia ao seu pai e a todos os personagens desse período sombrio.

A tarefa dos democratas é derrotar essa regressão reacionária para avançar nas pautas populares. Sem luta não há vitória!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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