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Alberto Cantalice

Diretor da Fundação Perseu Abramo e membro da Direção do PT

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A polarização das eleições e a busca pelos 10% decisivos

Alianças no centro e previsibilidade econômica serão chave na corrida presidencial de 2026, observa o colunista Alberto Cantalice

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Carlos Moura/Agência Senado)

A disputa pela faixa presidencial em 2026 será definida pelo atual ocupante do cargo, Lula e o candidato apoiado pelo bolsonarismo Flávio Bolsonaro. Essa pedra já foi cantada por inúmeros comentaristas políticos ou coordenadores de pesquisas de opinião. Apesar do favoritismo de Lula, não existe decisão de véspera. O embate será duríssimo.

A largada na disputa se dará nos finais do mês de junho. Até lá, seguem as articulações para montagem dos palanques estaduais. O crescimento do principal adversário do candidato do PT foi bafejado, inicialmente, pela transferência de votos do pai (inelegível e preso) para o filho. Um movimento que só não era esperado pelas viúvas da terceira via e da candidatura presidencial natimorta de Tarcísio de Freitas. Só quem não conhece a dinâmica operacional da família Bolsonaro que se iludiu.

Esse episódio de coroação do herdeiro na família não é fato novo. Cabe lembrar um episódio grotesco ocorrido em 2000 nas eleições para vereador, na Cidade do Rio de Janeiro. Bolsonaro, rompido com sua então esposa, Rogéria Bolsonaro, a quem tinha apoiado nas eleições de 1996, lançou o próprio filho Carlos Bolsonaro, o Carlucho (na época com 18 anos), para concorrer e derrotar a própria mãe.

Portanto, a unção de Flávio pode até ter surpreendido alguém, mas não a nós.

Voltando ao que verdadeiramente interessa que são as pesquisas que medem o momento da ainda distante disputa eleitoral, seria ilógico e de certo modo até amadorístico, que dirigentes políticos entrassem em modo desespero. Basta lembrarmos uma frase recente dita por Lula: “Ainda não ganhei, mas vou ganhar”. Experimentado nas disputas políticas, eleito três vezes presidente da República, ele sabe que ainda falta muita água para rolar debaixo da ponte.

É no começo da campanha, onde o tempo de TV aberta, rádios e os impulsionamentos nas redes digitais permitirão “casar” as entregas feitas pelo governo, com o mandatário. Coisa que muito justamente é proibida pela legislação brasileira, em períodos não eleitorais.

Entretanto, é importante destacar que o processo eleitoral será como tudo indica, decidido por 10% do eleitorado. Já que praticamente um terço está fechado com Lula e outro terço com o Bolsonarismo. Desse terço restante, 20% tendem a não comparecer. Média que vem se mantendo ao longo de muitos pleitos eleitorais.

A manutenção de Geraldo Alckmin na chapa majoritária; o apoio de Simone Tebet; de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro e de Rodrigo Pacheco, em Minas Gerais, são formas de ampliar o diálogo com os setores que compõem esse segmento e que não se encontram no espectro da esquerda e da centro-esquerda. Da mesma forma, precisa-se manter e ampliar as alianças com os setores do PSD e do MDB e até de partidos do Centrão, que por atração regional precisem estar com Lula.

Não podemos vender a ilusão de que o presidente Lula e os setores de esquerda e centro esquerda, sozinhos, podem vencer o pleito presidencial e ainda fazer maioria no Senado. Não vão. É preciso ampliar o leque.

De muito valerá nessa campanha a previsibilidade e responsabilidade da equipe econômica: Haddad e Tebet, que sob o comando de Lula recuperaram as contas nacionais do descalabro deixado pela dupla Bolsonaro/Guedes.

Vamos à luta!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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