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Alberto Cantalice

Diretor da Fundação Perseu Abramo e membro da Direção do PT

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Derrotar o golpismo é uma tarefa permanente

A decisão de Lula contra o PL da Dosimetria reafirma a defesa do Estado democrático e expõe a persistência do golpismo no cenário político brasileiro

Brasília (DF) - 08/01/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após participar da cerimônia relativa aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e assinatura do veto integral ao PL da Dosimetria, no Palácio do Planalto (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

A comemoração da derrota da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro teve como ponto alto o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. Não poderia ser diferente. Em sua fala, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, lembrou que crimes contra o Estado de Direito não são passíveis de anistia, graça ou indulto e são imprescritíveis.

Jurista com larga passagem pelo Supremo Tribunal Federal, Lewandowski pode ter enxergado na aprovação desse PL um caso grave e flagrante de inconstitucionalidade.

O esperneio da oposição de extrema-direita foi imediato. O chorume exalado nas redes sociais, entretanto, não teve amparo nos amplos setores da mídia empresarial, ficando restrito às suas bolhas e robôs. Cabe agora aos setores progressistas e democráticos pressionarem o Congresso Nacional para que mantenham o veto e expurguem da cena histórica brasileira o estigma do golpismo.

Cabe lembrar que a atitude tomada por Lula põe por terra a falácia de que existiria um acordo do governo para a aprovação do PL da Dosimetria em troca da aprovação de projetos de interesse do Ministério da Fazenda. Mentira que foi divulgada inclusive em canais de TV e rádio.

Diminuir a pena por crimes de tamanha gravidade, além de um tapa na cara da sociedade, seria a consagração de que atentar contra a democracia tem um preço barato e que vale a pena pagar.

Lesa-pátrias

A forma desavergonhada com que setores da oposição, tendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à frente, se regozijaram com a ingerência de Donald Trump na Venezuela espelha a dificuldade do processo de consolidação democrática no Brasil.

Esse estilo de subalternidade acanalhada nos fez lembrar a frase de Juracy Magalhães, em 1964: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Nomeado pelo ditador Castelo Branco, a frase de tamanha vassalagem só poderia sair da boca de um golpista.

É esse tipo de gente que se aglutinará neste ano de 2026 para tentar voltar ao governo. Contam, para isso, com apoio da Casa Branca, direta ou indiretamente. A influência exercida pelo protótipo de imperador estadunidense sobre os donos dos algoritmos das big techs pode ser a chance que a extrema direita tupiniquim espera.

É o golpismo sempre batendo à porta. E é esse golpismo permanente que teremos de derrotar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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