A família Bolsonaro quer acabar com o Pix
Família Bolsonaro mira o Pix enquanto novas tarifas contra o Brasil ameaçam empregos, exportações e a soberania nacional
Enquanto milhões de brasileiros acordam cedo para trabalhar, produzir, vender e sustentar suas famílias, a família Bolsonaro parece ter encontrado uma vocação alternativa: atuar, de forma sistemática e entusiasmada, contra os interesses do próprio país. A mais recente ofensiva chega novamente dos Estados Unidos, onde avançam discussões sobre novas tarifas contra produtos brasileiros e possíveis ataques ao Pix — um dos instrumentos mais bem-sucedidos da história econômica recente do Brasil.
Coincidência ou estratégia, é difícil dizer. O que não é difícil dizer é quem paga a conta.
Não é a primeira vez. Sempre que a família e seu entorno enfrentam dificuldades políticas ou jurídicas no Brasil, o movimento é previsível: internacionalizar o conflito, transformar disputas domésticas em campanhas contra o país e torcer para que a pressão externa produza dividendos políticos internos. O problema é que essa equação tem um lado que raramente aparece nos discursos: quem financia esse jogo não são os políticos envolvidos. São os trabalhadores, os agricultores, os exportadores, os pequenos empresários e as famílias brasileiras que simplesmente querem viver suas vidas sem que novas dificuldades sejam criadas artificialmente e criminosamente.
O Pix é um bom exemplo do que está em disputa. Criado pelo Banco Central, revolucionou os meios de pagamento nacionais, reduziu custos para consumidores e pequenos negócios e ampliou a inclusão financeira em uma escala que nenhuma fintech privada jamais alcançou — e jamais alcançaria, porque não haveria lucro suficiente para justificar o esforço. Não por acaso, virou alvo. Quando surgem movimentos que associam o Pix a supostas irregularidades inexistentes ou que estimulam sua desmoralização, o efeito prático é enfraquecer uma ferramenta que beneficia exatamente quem vive do próprio trabalho: o pequeno comerciante, o autônomo, o motorista de aplicativo, o microempreendedor. Gente que não tem lobista em Washington financiado por dinheiro do crime e desviado de fundos de pensão públicos.
No front das tarifas, o raciocínio é o mesmo. Qualquer novo tarifaço contra produtos brasileiros representa um ataque direto a empregos, renda e competitividade. Setores inteiros da economia — do agronegócio à indústria, do comércio exterior aos serviços — ficam reféns de uma disputa que não iniciaram e da qual não fazem parte. A insegurança gerada afasta investimentos, corrói margens e cria um ambiente de incerteza que demora anos para ser revertido. Tudo isso para que uma família preserve sua relevância política e, quem sabe, negocie anistias.
Há uma distinção que precisa ser feita com clareza: existe uma diferença entre fazer oposição política e agir para prejudicar o país. A primeira é legítima, faz parte da democracia e é bem-vinda. A segunda tem outro nome. Crime. Quando um grupo político estimula pressões externas contra instrumentos econômicos nacionais, contra exportações brasileiras ou contra a reputação do país em foros externos, não está atacando um governo. Está atacando empresas, empregos e famílias. Está apostando, de forma calculada, no quanto pior, melhor.
O Brasil tem o direito — e o dever — de defender seus interesses nacionais acima das conveniências partidárias. Defender o Pix, defender as exportações, defender a indústria e o emprego não é pauta de governo: é pauta de país. E deixar claro que nenhuma família, por mais influente que seja ou por mais que lamba as botas de moradores de Mar-a-Lago, tem o direito de transformar os interesses nacionais em moeda de troca para projetos pessoais de poder é, também, uma questão de soberania.
Quando o Brasil é alvo de tarifas, barreiras ou campanhas de desinformação conduzidas ou incentivadas por brasileiros, quem perde não é um partido. Quem perde é o povo. E isso, em algum momento, precisa ter consequências.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




