A gigante de US$ 14 trilhões: BlackRock elogia o Pix e vê Lula favorito para 2026
A frase repercutiu fortemente no mercado financeiro porque simboliza uma mudança importante na percepção internacional sobre o Brasil
A americana BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, com cerca de US$ 14 trilhões sob administração, mandou um recado claro durante a Brazil Week 2026, realizada em Nova York entre os dias 11 e 12 de maio: o mercado internacional vê hoje o Brasil como um ambiente de previsibilidade institucional em meio ao caos global.
O encontro reuniu banqueiros, gestores, empresários e autoridades brasileiras em Manhattan, num momento em que o mundo convive com guerras, inflação persistente, disputa tecnológica e desaceleração econômica.
Logo na abertura do evento, Aitor Jauregui, responsável da BlackRock para a América Latina, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito para vencer as eleições de 2026. A avaliação não foi feita em tom ideológico. Foi uma leitura de mercado. O argumento central apresentado pela gestora envolve crescimento moderado, fluxo de capital estrangeiro, contas externas relativamente equilibradas e estabilidade institucional.
Em Wall Street, previsibilidade continua sendo palavra-chave. O momento mais comentado da semana, porém, veio do CEO global da BlackRock, Larry Fink. Durante uma conversa na sede da gestora em Manhattan, Fink afirmou ter "inveja" do sistema financeiro brasileiro, especialmente do Pix. "Deveríamos ter um Pix nos Estados Unidos", afirmou.
A frase repercutiu fortemente no mercado financeiro porque simboliza uma mudança importante na percepção internacional sobre o Brasil. Durante décadas, o país foi associado no exterior apenas à inflação, instabilidade política e burocracia.
Agora, investidores internacionais passaram a enxergar também modernização financeira e inovação tecnológica. O Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, transformou a forma de pagamento no país e virou referência mundial em transferência instantânea.
Hoje, o sistema brasileiro é estudado por bancos centrais e instituições financeiras de vários países. O comentário de Larry Fink teve peso justamente porque partiu do homem que comanda a maior administradora de recursos do planeta. Outro ponto que chamou atenção durante a Brazil Week foi o silêncio do mercado sobre a oposição brasileira.
Apesar de a polarização política continuar forte dentro do país, investidores ainda não enxergam um nome consolidado capaz de alterar significativamente as projeções econômicas para 2026. O mercado financeiro internacional normalmente não trabalha com paixão política. Trabalha com estabilidade, previsibilidade e capacidade de execução econômica.
E foi exatamente essa percepção que dominou os encontros realizados em Nova York durante a semana brasileira de 2026. Num mundo cada vez mais instável, o Brasil passou a ser visto por parte do capital internacional menos como um problema e mais como uma oportunidade relativa dentro dos emergentes. Wall Street talvez não esteja apaixonada pelo Brasil. Mas claramente voltou a prestar atenção no país.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




