A Nova Rota da Seda
Os imensos recursos que estão sendo colocados no enfoque "Uma faixa, uma rota", proposto por Xi Jinping, sugerem o que a China está planejando para o futuro
Em um de seus mais importantes livros, Peter Frankopan, que eu considero o primeiro grande historiador do século XXI, conclui a obra falando da nova Rota da Seda.
Ele afirma que "sob vários aspectos, o final do século XX e o início do século XXI representaram uma espécie de desastre para os Estados Unidos e a Europa, conforme travavam a fatídica luta para manter suas posições nos territórios vitais que ligam o Oriente ao Ocidente."
Frankopan destaca o que ele considera a falta de visão do Ocidente a respeito da história global. Há, segundo ele, muito mais coisas acontecendo no mundo do que ele chama "as desajeitadas intervenções do Ocidente no Iraque e no Afeganistão" e outros lugares mais.
Do leste a oeste, diz ele, as Rotas da Seda estão ressurgindo. O que estaríamos vivendo seriam "as dores do parto de uma região que já dominou o panorama intelectual, cultural e econômico e que agora reemerge." Estaria havendo uma mudança no centro de gravidade do mundo, que volta ao local onde esteve por milênios. As Rotas da Seda estão em ascensão novamente, sem que muitos se deem conta.
A era do Ocidente vive uma encruzilhada. O mundo está se transformando diante dos olhos de todos. O período até 2040 deve ser um período de transição. É hora, disse um ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, de "colocar nossos olhos em uma nova Rota da Seda". Chegou a hora, segundo o presidente chinês Xi Jinping, de "construir uma Faixa Econômica da Rota da Seda", em outras palavras, uma Nova Rota da Seda.
À medida que o coração do mundo — que está no título do livro de Frankopan, com o subtítulo: "Uma nova história universal a partir das Rotas da Seda: O Encontro do Oriente com o Ocidente" — assume nova feição, ao mesmo tempo são criadas instituições e organizações que formalizam relações ao longo dessa região crucial.
"O mundo está mudando à nossa volta", conclui Frankopan. "À medida que entramos numa era em que a hegemonia política, militar e econômica do Ocidente vai sendo pressionada, a sensação de incerteza é perturbadora. Poucos duvidam que haja mais turbulência à nossa frente."
Os imensos recursos que estão sendo colocados no enfoque "Uma faixa, uma rota", proposto por Xi Jinping, sugerem fortemente o que a China está planejando para o futuro. Em outros lugares, os traumas e as dificuldades, os desafios e os problemas parecem dores do parto — sinais de um novo mundo emergindo diante dos nossos olhos.
Enquanto ficamos tentando saber de onde poderá vir a próxima ameaça, ou qual a melhor maneira de lidar com o extremismo religioso, ou de negociar com Estados que parecem dispostos a desrespeitar a lei internacional, ou como construir relações com povos, culturas e regiões aos quais dedicamos pouco ou nenhum tempo a tentar compreender, vão sendo urdidas em silêncio múltiplas redes e conexões ao longo da espinha dorsal da Ásia; ou melhor, elas estão sendo restauradas. São as Rotas da Seda.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



