A política do "pega ladrão" e o jogo da distração
Trumpismo e bolsonarismo têm uma aliança para fins fascistas. Um manda e o outro obedece
Existe uma velha tática conhecida: o ladrão corre da polícia no meio da multidão e começa a gritar “pega ladrão”. A confusão serve justamente para inverter os papéis, criar fumaça e desviar a atenção de quem realmente deveria estar sendo investigado. Na política brasileira, esse método parece cada vez mais familiar.
O que setores ligados ao bolsonarismo fazem hoje é exatamente isso: tentam transformar adversários em ameaça enquanto escondem suas próprias contradições, suas conexões históricas com estruturas criminosas e suas práticas antirrepublicanas. Não se trata apenas de disputa política ou divergência ideológica. Trata-se da tentativa permanente de confundir a opinião pública, embaralhar responsabilidades e atacar instituições democráticas sempre que seus interesses entram em risco.
As relações entre figuras da família Bolsonaro e personagens ligados às milícias já foram amplamente noticiadas e investigadas ao longo dos últimos anos. O debate público não surgiu do nada. Ele aparece a partir de episódios concretos, homenagens, vínculos políticos, circulação de aliados e proximidade com grupos que operam em territórios dominados pela violência e pelo controle armado da população. O problema central não é apenas moral: é político e institucional.
Enquanto isso, parte da extrema-direita tenta se apresentar como defensora da ordem, da pátria e do combate ao crime. Mas o discurso entra em contradição quando setores desse mesmo campo político relativizam ataques às instituições, questionam o resultado das urnas, flertam com aventuras golpistas e recorrem a governos estrangeiros para pressionar autoridades brasileiras, como é o caso do clã bolsonaro junto aos Estados Unidos.
O caso recente envolvendo Flávio Bolsonaro e outros integrantes do campo bolsonarista expõe justamente essa lógica. Ao buscar apoio político externo para interferir em disputas internas do Brasil, constrói-se uma postura incompatível com qualquer noção séria de patriotismo. A soberania nacional não pode ser defendida apenas quando convém eleitoralmente e abandonada quando os interesses de um grupo político estão em jogo.
Não por acaso, o ministro Gilmar Mendes classificou como um “ato de lesa-pátria” a atitude de Eduardo Bolsonaro, que deixou o país para difundir acusações contra o Supremo Tribunal Federal e buscar apoio internacional contra instituições brasileiras. A expressão é forte porque toca num ponto essencial: divergências políticas devem ser resolvidas dentro das instituições nacionais, e não por meio da internacionalização de conflitos internos em busca de pressão estrangeira.
De acordo com a Legislação brasileira:
Atentado à soberania (Art. 359-I): Negociar com governo ou grupo estrangeiro com o fim de provocar atos de guerra contra o Brasil ou invadi-lo.
Atentado à integridade nacional (Art. 359-J): Praticar ato de violência ou grave ameaça para submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio de nação estrangeira.
Espionagem (Art. 359-K): Entregar ou fornecer a governo estrangeiro, a seus agentes ou a organização criminosa, documentos ou informações secretas cuja revelação possa colocar em perigo a segurança da sociedade e do Estado.
Flávio Rachadinha é o candidato ideal do lumpen da bandidagem do crime e da corrupção. Com mais um agravante: é agente sabujo dos USA. Sua meta é transformar o Brasil num satélite do Trumpismo. Para isso, foi ao pretenso imperador do mundo oferecer nossas terras raras e obediência sem contestação aos USA.
Até o meio de pagamento de maior sucesso do Brasil, o PIX, estando, inclusive, em fase de cópia de outros países, e incomoda às empresas de cartões como o Visa e Mastercard, Trump está combatendo e os irmãos Bolsonaro passaram a defender os interesse alienígenas. É muita sem-vergonhice.
O governo brasileiro, gostem ou não seus adversários, foi eleito pelo voto popular e pela soberania do sufrágio universal. Em uma democracia, divergências se resolvem dentro das instituições nacionais, não por meio de chantagem diplomática, sanções externas ou tentativas de transformar disputas domésticas em instrumentos de intervenção internacional.
Também chama atenção a disposição de determinados setores em tratar recursos estratégicos do país, como as terras raras e outras riquezas minerais, como moeda de troca para estreitar alianças políticas externas. O debate sobre o aproveitamento desses recursos deve ser conduzido a partir dos interesses nacionais, da soberania econômica e do desenvolvimento do país, jamais como instrumento de subordinação a projetos geopolíticos estrangeiros.
Ao mesmo tempo, permanece legítimo o debate público sobre a construção patrimonial e política da família Bolsonaro ao longo das últimas décadas. Uma família que se fez na política institucional, acumulou patrimônio e influência de maneira que frequentemente desperta questionamentos, investigações e cobranças por transparência.
Em uma democracia, figuras públicas devem estar sujeitas ao escrutínio público, especialmente quando ocupam posições de grande poder, conforme os princípios constitucionais da Administração Pública.
Soberania não se exerce com bravata. Exerce-se com firmeza institucional, posição diplomática clara e capacidade de construir alianças estratégicas capazes de garantir autonomia nacional. Nesse cenário, fortalecer relações econômicas e políticas diversificadas e ampliar a multipolaridade das relações exteriores aparece como parte de uma estratégia de independência frente à tutela histórica exercida por grandes potências.
O que está em disputa não é apenas uma eleição ou um grupo político específico. É a capacidade do Brasil de defender suas instituições sem se tornar refém de setores que utilizam patriotismo como marketing político enquanto atuam, na prática, para fragilizar a própria independência nacional.
Flávio Rachadinha é alcaguete de Trump e mercador das riquezas do Brasil. Um indivíduo como ele merece muitos escrachos aonde for.
Trumpismo e bolsonarismo têm uma aliança para fins fascistas. Um manda e o outro obedece.
No fim, a tática continua a mesma: gritar “pega ladrão” para esconder quem realmente está correndo da verdade.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




