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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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A seleção do Brasil é a pátria de chuteiras?

A seleção nos representa — mesmo quando preferíamos que não

Seleção Brasileira posa para foto oficial antes da partida contra a Escócia, na quarta-feira (24/6), pela Copa do Mundo (Foto: Reuters)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

Vale esse chavão? Claro que não é o destino do país que se joga na Copa do Mundo. Mas é o Brasil, os jogadores nos representam?

Sim e não. Ou melhor, como tudo na vida, as contradições reinam sobre os fenômenos.

Foi o Brasil que foi derrotado pelo Uruguai, na virada trágica do Maracanã, no fatídico 16 de julho de 1950? O sentimento de derrota se abateu sobre todo país. A ponto que o goleiro – Barbosa – e o lateral esquerda – Bigode –, caracterizados como responsáveis por aquela virada trágica, ficaram quase como "traidores da pátria", como responsáveis por aqueles dos gols. A ponto que o Brasil não teve mais goleiros negros por muito tempo, até o Dida. E o Parreira não permitiu que o Barbosa visitasse o treino da seleção brasileira!

Em 1970, no auge da ditadura, o Garrastazu Médici (o Carrasco Azul) jogou pesado contra nós, com o "Brasil, ame-o ou deixe-o". O João Saldanha não suportou as intervenções do ditador de turno e renunciou ao cargo de técnico da seleção. Sabíamos como a ditadura iria utilizar uma nova vitória da seleção, mas claro que torcemos pelo Brasil.

Vendo a seleção jogar, não podíamos torcer contra. Ainda mais aquela seleção maravilhosa!

Claro que não é a pátria de chuteiras! A seleção pode ir mal e o país ir bem. Da mesma forma que a seleção pode ir bem e o país mal, como foi o caso em 1970.

E as cinco vitórias posteriores foram vitórias do Brasil, que projetavam sua imagem no mundo como o país do futebol.

A seleção nos representa, gostemos ou não – mesmo com a discriminação contra os jogadores do Palmeiras, atualmente o melhor time do Brasil. A amarelinha nos convoca a torcer por ela e pelo Brasil.

Da mesma forma que os argentinos não conseguem não torcer pela sua seleção, mesmo com o Messi, o seu maior craque, tendo se prestado a um papel muito feio com o Donald Trump.

Foi preciso o prefeito muçulmano de Nova York para nos recordar o papel do Sócrates e da democracia corinthiana, de que os jogadores da nossa seleção provavelmente nem sabiam da existência. Foi preciso que o Casagrande fosse dar uma camisa do Corinthians para o prefeito de Nova York.

Ganhemos ou não, temos dois jogadores com grande consciência social – o Danilo e o Vini Jr.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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