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Pedro Maciel

Advogado, sócio da Maciel Neto Advocacia, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007

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Pelé, o maior de todos os tempos

Novos nomes podem emocionar milhões de pessoas. E isso é maravilhoso. Mas o trono da história tem memória e nele sempre estará Pelé, o Rei do Futebol

Pelé (Foto: Acervo Pelé/Divulgação)
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Às sextas-feiras fazemos home office, uma dessas marcas da modernidade: todos trabalham de casa. Eu, particularmente, aproveito esse dia para visitar clientes, algo que fazia com muita frequência no início da minha carreira, iniciada na segunda metade dos anos 1980 do século passado. (Ufa!)

Cheguei à empresa de um cliente muito querido e o encontrei na sua sala, numa cena que me trouxe boas lembranças: ele jogava xadrez com seu neto. Eu aprendi a jogar com meu primo Toni e frequentávamos o clube de xadrez, que ficava ali na rua Doutor Quirino, não sei se ainda existe.

Sua empresa é organizada e temos orgulho de ter participado de um momento fundamental de sua história: o processo de sucessão empresarial, ou seja, a transferência da gestão para uma nova geração. No caso, uma transição familiar, mas existem diversos modelos possíveis de continuidade de uma empresa.

Seu neto, um jovem de treze ou quatorze anos, depois de descobrir que fui eu quem ensinou seu avô a jogar xadrez, passou a me desafiar com frequência. Naquele dia escapei do desafio, pois a partida entre eles estava bastante disputada.

Quando entrei, interromperam o jogo. Conversamos sobre política, juros, economia e, inevitavelmente, chegamos à Copa do Mundo.

Juan, esse é o nome do neto do meu cliente, perguntou: “- E aí, Dr. Pedro, tem assistido ao melhor do mundo?”

A pergunta veio acompanhada daquela provocação típica da juventude. Ele pertence a uma geração que cresceu vendo o futebol através das imagens de Messi, Cristiano Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Neymar, Mbappé e tantos outros fenômenos contemporâneos. É natural.

E é justamente por isso que precisamos falar sobre história.

Todos esses jogadores são gênios da bola. Não são apenas grandes atletas: são artistas que elevaram o futebol a níveis extraordinários. Cada época produz seus talentos, seus protagonistas e seus encantos.

Mas a história do futebol não começou no século XXI.

Antes dos grandes craques atuais, existiram homens que ajudaram a construir o que hoje chamamos de futebol mundial.

Zico, por exemplo, foi um dos maiores jogadores da história do Brasil, Campeão do Mundo com o Flamengo em 1981 e responsável pela popularização e profissionalização do futebol no Japão, além de ser figura central na criação da J.League em 1993, mudando o patamar do esporte no país asiático.

Podemos citar ainda Didi, bicampeão mundial e eleito o melhor jogador da Copa de 1958; Garrincha, também bicampeão mundial, encantou o planeta na Copa de 1962; antes deles Leônidas da Silva marcou época na Copa de 1938 e Arthur Friedenreich, pioneiro do futebol brasileiro, foi considerado um dos maiores craques de seu tempo.

Todos esses, e muitos outros, merecem o título de “gênios da bola”.

Mas existe um jogador cuja dimensão ultrapassa a análise estatística ou a comparação entre gerações, pois, ele mudou o futebol.

Esse homem é Pelé.

Pelé não apenas jogou futebol: ele transformou o futebol em fenômeno mundial. Em uma época sem a tecnologia dos equipamentos atuais, sem a preparação física moderna, sem os recursos médicos e científicos que hoje fazem parte do esporte de alto rendimento, ele fazia coisas que, ainda hoje, parecem impossíveis.

Ele marcou gols, conquistou títulos, encantou multidões e parou uma guerra, mas sua maior obra foi outra: ele ajudou a transformar o futebol em uma linguagem universal, uma linguagem de paz e congraçamento. 

Pelé fez crianças em diferentes países sonharem. Tornou-se símbolo de uma arte que ultrapassou fronteiras, idiomas e culturas.

Por isso, quando se fala em “Rei do Futebol”, existe uma referência histórica que não pode ser apagada.

O futebol continua produzindo gênios. Novos jogadores surgirão, quebrarão recordes, conquistarão títulos e escreverão seus próprios capítulos. Isso é a beleza do esporte.

Mas uma coisa é reconhecer novos protagonistas; outra é permitir que a memória seja reescrita.

A imprensa esportiva tem um papel essencial nesse processo. Ao celebrar os grandes jogadores atuais, não pode deixar que a narrativa do presente apague a grandeza daqueles que construíram o caminho.

E aqui entra uma responsabilidade importante da Confederação Brasileira de Futebol: assumir o compromisso de preservar a memória de Pelé. Não apenas com homenagens protocolares, mas com iniciativas permanentes: documentários, exposições, conteúdos educativos, programas nas escolas e divulgação internacional da sua história.

Pelé precisa continuar sendo apresentado às novas gerações como o maior de todos os tempos.

Não para diminuir Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Vinícius Jr. ou qualquer outro grande jogador. Pelo contrário: reconhecer Pelé é valorizar a história do futebol.

Uma frase resume essa ideia: “O futebol fez Messi ser grande. Pelé fez o futebol ser grande.”

A Copa do Mundo pode ter novos heróis. Novos nomes podem emocionar milhões de pessoas. E isso é maravilhoso.

Mas o trono da história tem memória e nele sempre estará Pelé, o Rei do Futebol.

Lamentavelmente o capitalismo se apropriou do futebol e ele, transformado em mercadoria, apodrecerá, como tudo que é tocado pelo capital, mas podemos salvar a História.

Essas são as reflexões.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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